Um relatório da Polícia Federal indica a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen. O fundo recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em operação que teria levado os recursos às Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, por meio da holding Egide I.
O documento ficou sob sigilo durante sete meses, sob a relatoria do ministro do STF André Mendonça, e foi revelado nesta sexta-feira (11). A PF afirma que reuniu elementos que apontariam para a possível relação de Toffoli com o fundo e seus ativos.
O Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, empreendimento ligado à família de Toffoli. De acordo com o relatório, o fundo pertencia a Vorcaro, mudou de proprietário e passou a ser controlado por um empresário amigo do ministro. Meses depois, seus ativos foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas.
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A companhia vendeu parte dessa participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como acionista.
Mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel registraram cobranças sobre aportes no resort. Em maio de 2024, o banqueiro perguntou sobre a situação dos repasses. Em agosto do mesmo ano, voltou a questionar o pagamento. Zettel respondeu que havia transferido o dinheiro ao intermediário responsável e que o aporte final dependia dele.
Em uma das conversas, Zettel afirmou: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Depois, a pedido de Vorcaro, levantou os valores já aportados: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
Toffoli já negou ter amizade com Vorcaro ou ter recebido valores dele. Procurado na manhã desta sexta-feira, não havia se manifestado sobre a posse de recursos no exterior.







