As remessas internacionais de pequeno valor aumentaram depois que o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 foi zerado, em maio. A média mensal, que era de 15,4 milhões de encomendas nos quatro primeiros meses do ano, chegou a 20 milhões em maio, 28 milhões em junho e ficou acima de 26 milhões em julho e agosto.
A alíquota anterior era de 20%. A mudança ocorreu por meio de medida provisória aprovada pelo Congresso e convertida em lei em 10 de setembro.
Em valores, as compras declaradas passaram de uma média de US$ 308 milhões entre janeiro e abril para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes. Os dados foram extraídos de levantamentos do programa Remessa Conforme, criado para combater a sonegação fiscal nas compras internacionais, e analisados pela Abit, entidade que representa a indústria do vestuário.
Comparação anual
No mês passado, foram declaradas 26,5 milhões de remessas internacionais, volume 74% superior às 15,2 milhões de declarações de agosto de 2025. O valor importado subiu de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, uma alta de 79% em um ano.
A indústria do vestuário está entre os setores afetados pela entrada de concorrentes estrangeiros, especialmente chineses, em plataformas como Shopee, AliExpress e Shein. A Abit defende equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados.
A associação afirma que as remessas de até US$ 50 recebem tratamento tributário mais favorável e não estão sujeitas aos mesmos controles e normas trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança aplicados à produção nacional. Para a entidade, essa diferença ocorre em um momento de expansão das importações convencionais e retração do mercado interno.
“Essa assimetria já cobra um preço elevado”, afirma a Abit. No posicionamento, a entidade também citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais a produção têxtil caiu 6,8% e a confecção recuou 8,2% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
A Abit declarou ainda que as condições atuais podem estimular a importação em detrimento da produção nacional. A associação relacionou esse cenário a impactos sobre investimentos, renda, arrecadação e empregos, sem apresentar estimativas para esses efeitos.








