A indústria química apresentou às campanhas dos candidatos à Presidência da República uma lista de medidas para reduzir custos e conter a perda de competitividade. Entre as propostas estão mudanças na formação das tarifas de gás natural, maior transparência sobre a reinjeção do insumo na produção de petróleo e oferta de energia a preços competitivos.
O setor também relaciona o custo do gás ao aumento da dependência de importações e à redução dos investimentos. Entre 2007 e 2025, o déficit comercial da indústria química passou de US$ 13,3 bilhões para aproximadamente US$ 60 bilhões. No mesmo período, a participação dos produtos importados na demanda doméstica subiu de 27% para cerca de 50%.
A utilização da capacidade instalada caiu de 87% para aproximadamente 64%, enquanto os investimentos produtivos anuais recuaram de US$ 2,2 bilhões para US$ 200 milhões. O investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento diminuiu de 0,78% para 0,30% da receita líquida.
Preço do gás
Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, afirmou que o custo do gás natural afeta diretamente a competitividade industrial. Ela comparou os preços: nos Estados Unidos, o insumo custa de US$ 2 a US$ 3 por milhão de BTU; na Europa, cerca de US$ 7; e, no Brasil, de US$ 13 a US$ 14.
Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ, disse que o setor poderia competir com o gás a US$ 6 por milhão de BTU, embora desejasse um preço de US$ 3. “Entendemos que não baixe de uma hora para outra, mas precisamos que se tome essa decisão”, afirmou.
Manique também criticou a estratégia da Petrobras, que, segundo ela, prioriza a lucratividade imediata da molécula. A indústria química consome cerca de 30% a 40% do gás natural do país. Para a executiva, a saída desse grupo poderia elevar o preço ao consumidor, porque os custos de distribuição seriam distribuídos por uma base menor.
Regulação e tarifas
A Abiquim defende que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis estabeleça regras para avaliar a redução da reinjeção de gás na produção de petróleo. André Passos, da entidade, pediu que os dados técnicos sejam públicos e que se identifique quanto do volume reinjetado é necessário por razões técnicas, de infraestrutura ou comerciais.
O setor também propõe regras para os serviços de escoamento e processamento e uma revisão das tarifas de distribuição em todo o país. Passos afirmou que São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro adotam metodologias diferentes, o que contribui para tarifas elevadas.








