São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Setor químico propõe mudanças no gás e alerta para perda de competitividade

Empresas pedem revisão de tarifas, transparência sobre reinjeção e redução dos custos de energia e gás natural.

Setor químico propõe mudanças no gás e alerta para perda de competitividade

A indústria química apresentou às campanhas dos candidatos à Presidência da República uma lista de medidas para reduzir custos e conter a perda de competitividade. Entre as propostas estão mudanças na formação das tarifas de gás natural, maior transparência sobre a reinjeção do insumo na produção de petróleo e oferta de energia a preços competitivos.

O setor também relaciona o custo do gás ao aumento da dependência de importações e à redução dos investimentos. Entre 2007 e 2025, o déficit comercial da indústria química passou de US$ 13,3 bilhões para aproximadamente US$ 60 bilhões. No mesmo período, a participação dos produtos importados na demanda doméstica subiu de 27% para cerca de 50%.

A utilização da capacidade instalada caiu de 87% para aproximadamente 64%, enquanto os investimentos produtivos anuais recuaram de US$ 2,2 bilhões para US$ 200 milhões. O investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento diminuiu de 0,78% para 0,30% da receita líquida.

Preço do gás

Daniela Manique, presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, afirmou que o custo do gás natural afeta diretamente a competitividade industrial. Ela comparou os preços: nos Estados Unidos, o insumo custa de US$ 2 a US$ 3 por milhão de BTU; na Europa, cerca de US$ 7; e, no Brasil, de US$ 13 a US$ 14.

Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ, disse que o setor poderia competir com o gás a US$ 6 por milhão de BTU, embora desejasse um preço de US$ 3. “Entendemos que não baixe de uma hora para outra, mas precisamos que se tome essa decisão”, afirmou.

Manique também criticou a estratégia da Petrobras, que, segundo ela, prioriza a lucratividade imediata da molécula. A indústria química consome cerca de 30% a 40% do gás natural do país. Para a executiva, a saída desse grupo poderia elevar o preço ao consumidor, porque os custos de distribuição seriam distribuídos por uma base menor.

Regulação e tarifas

A Abiquim defende que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis estabeleça regras para avaliar a redução da reinjeção de gás na produção de petróleo. André Passos, da entidade, pediu que os dados técnicos sejam públicos e que se identifique quanto do volume reinjetado é necessário por razões técnicas, de infraestrutura ou comerciais.

O setor também propõe regras para os serviços de escoamento e processamento e uma revisão das tarifas de distribuição em todo o país. Passos afirmou que São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro adotam metodologias diferentes, o que contribui para tarifas elevadas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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