O Banco Central identificou diferenças no estágio de adoção e de governança da inteligência artificial entre os segmentos do sistema financeiro. A avaliação foi apresentada por Carlos André de Melo, coordenador do departamento de Regulação do Sistema Financeiro da autoridade monetária, na terça-feira, 1º de setembro.
O BC repetiu neste ano uma pesquisa realizada em 2025 com instituições financeiras. Os dados do novo levantamento ainda estão em análise, mas os resultados da pesquisa anterior já permitem apontar uma heterogeneidade entre os segmentos, segundo Melo.
“Os grandes bancos, do S1, estão a largos passos com relação à implementação de modelos e sistemas de IA e governança relacionada a esse assunto”, afirmou. Na avaliação apresentada por ele, cooperativas singulares e instituições de pagamento de menor porte ainda precisam avançar na governança e no uso da tecnologia.
Terceirização entra no mapeamento
O acompanhamento do tema ocorre sob uma perspectiva regulatória e já fornece subsídios para o mapeamento de riscos pelo Banco Central. Um dos pontos observados é a possibilidade de instituições reguladas contratarem uma mesma empresa terceirizada para serviços de inteligência artificial.
Para Melo, a contratação por várias entidades pode criar risco de concentração. Se a prestadora enfrentar um problema, os efeitos podem alcançar mais de uma instituição e trazer implicações para a estabilidade financeira.
A autoridade monetária também verifica como os riscos associados à inteligência artificial estão sendo incorporados aos modelos de gerenciamento de risco. O levantamento inclui aplicações usadas na prevenção de fraudes, no combate à lavagem de dinheiro e na melhoria do relacionamento com clientes.
“Temos acompanhado como é que as aplicações vão evoluindo par a par com a preocupação na mitigação dos riscos”, disse Melo. Ele participou de um painel no Zetta Summit.








