MILWAUKEE — A União Europeia indicou ao governo brasileiro que pretende retomar em breve as importações de carne de frango e mel, suspensas desde o início de setembro. O Brasil pediu que a carne bovina também tenha autorização acelerada para entrar no bloco.
A sinalização foi dada nesta quarta-feira pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião com Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros do Comércio do G20.
Em nota, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram que o lado europeu mencionou o resultado positivo de uma auditoria realizada semanas atrás no Brasil. A avaliação da Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel. Ainda é necessário concluir procedimentos burocráticos antes da retomada das exportações.
Decisão sobre as exportações
Durante a fiscalização, autoridades sanitárias verificaram que o Brasil proíbe o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais e aumentar o rendimento. Essas substâncias são permitidas para tratar infecções, mas a União Europeia proíbe seu uso como promotor de crescimento.
Após o resultado da auditoria, divulgado no início desta semana, o Ministério da Agricultura pediu que o relatório seja analisado pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações, conhecido pela sigla Scopaff. O comitê é responsável pela decisão final da Comissão Europeia, e sua reunião técnica está marcada para 20 e 21 de outubro.
Desde 3 de setembro, o Brasil está proibido de exportar para os 27 países do bloco carne bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos. A União Europeia retirou o país da lista de nações que cumprem suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
Na mesma reunião, os ministros brasileiros e o comissário europeu discutiram as restrições à importação de aço. Segundo a nota, a União Europeia revisa a distribuição de cotas para produtos siderúrgicos, processo que pode beneficiar o Brasil e terá etapas adicionais em 2027.








