A campanha do presidente Lula (PT) à reeleição pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral a investigação de um site que oferece criptomoedas a quem divulgar conteúdos de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno da disputa presidencial. A representação foi apresentada nesta quinta-feira 8.
Os advogados da campanha afirmam que o mecanismo pode configurar crime eleitoral e solicitam a identificação dos responsáveis pelo Brasil 22 Token. A plataforma lançou o ativo digital B22 nesta semana, declara apoiar o “voto 22” e afirma que também arrecada recursos para as HypersKids, grupo infantil de dança de Uganda.
Como funciona a distribuição
Segundo a representação do PT, uma carteira abastecida por uma conta da Binance criou o B22 na noite de terça-feira. Cerca de 20 minutos depois, transferiu 120 milhões de unidades para uma carteira apresentada pelo projeto como pertencente às HypersKids.
Após a transferência, o perfil das crianças publicou um vídeo com camisetas que exibiam a marca B22 e um pedido de voto no número 22. A legenda dizia que os tokens haviam sido recebidos e convidava os seguidores a aprender como ganhar a criptomoeda ao inspirar outras pessoas a votar 22.
O site também oferece um programa chamado airdrop. A iniciativa prevê 30 mil B22 para cada uma das primeiras mil pessoas que publicarem conteúdos de divulgação no X, no Instagram ou no TikTok. Para participar, a página orienta o interessado a comprar o token, compartilhar o projeto, enviar o link da publicação para validação e informar a carteira digital.
A equipe jurídica da coligação relaciona o caso ao artigo 334 do Código Eleitoral, que proíbe o uso de organização comercial, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores. A representação também questiona o uso de um perfil estrangeiro para propaganda em inglês.
A campanha pediu a preservação imediata de registros digitais e defende que o Ministério Público Eleitoral solicite cooperação jurídica internacional aos Estados Unidos para identificar os responsáveis pelo domínio. Também requereu dados à Meta, ao X, ao Telegram e à Binance.
A assessoria de Flávio informou que o site não tem relação com a campanha e afirmou que acionará a Justiça para derrubá-lo. “Não existem perfis contratados pela campanha de Flávio Bolsonaro para fazer propaganda”, declarou.








