A decisão do ministro André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal ampliou a crise interna no Supremo Tribunal Federal. A medida foi tomada na manhã desta terça-feira 8, em meio ao conflito entre Mendonça e Alexandre de Moraes, e aumentou o receio de que novas decisões de ambos provoquem reações sucessivas.
Mendonça vinha preparando o afastamento desde a semana passada. A iniciativa ocorreu depois de Moraes solicitar ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra o colega por suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa.
O pedido de Moraes foi apresentado após Mendonça divulgar mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, enviadas a um número ligado ao ministro. Mendonça também ordenou diligências para descobrir quem participava das conversas.
A crise passou a envolver diretamente a Polícia Federal e, na avaliação de integrantes da Corte, já afeta a imagem do tribunal e a confiança na instituição. Também há preocupação com o uso do conflito em críticas de caráter eleitoral contra o STF.
Divisões no tribunal
A avaliação sobre a gravidade do impasse não resultou em uma posição conjunta entre os ministros. Fachin, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques se aproximaram de Mendonça. Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, por outro lado, apoiam Moraes.
Cármen Lúcia é considerada decisiva para o rumo de eventuais investigações contra Mendonça ou Moraes. A ministra poderá influenciar a continuidade desses procedimentos.
Outra possibilidade de o caso chegar ao plenário está relacionada à Advocacia-Geral da União. O órgão deve contestar o afastamento de Andrei Rodrigues. A expectativa é que Jorge Messias apresente ao Supremo um pedido de suspensão liminar, que seria analisado diretamente pelo presidente da Corte.
A tensão ocorre às vésperas das eleições de 2026, período em que o STF enfrenta novas disputas internas sem uma solução definida para o confronto entre os ministros.







