São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Macacos-prego ampliam a caça de pequenos vertebrados quando faltam frutos

Estudo na Fazenda Boa Vista relacionou a menor oferta de frutos ao aumento do consumo de aves, roedores, cobras e outros animais.

Macacos-prego ampliam a caça de pequenos vertebrados quando faltam frutos
Foto: Rodrigo Mariano/Acervo Pessoal via Jornal da USP/Reprodução

Macacos-prego caçam e consomem mais pequenos vertebrados quando a oferta de frutos diminui, segundo um estudo realizado na Fazenda Boa Vista. A pesquisa acompanhou os animais por 45 meses e identificou o consumo de lagartos, cobras, aves, roedores, morcegos e marsupiais, como gambás, além de ovos e filhotes de aves.

Publicado na revista científica Plos One, o trabalho analisou a relação entre a disponibilidade de alimentos e a predação. Os pesquisadores observaram que a quantidade de insetos não apresentou relação significativa com a taxa de caça. Já a menor oferta de frutos esteve associada ao aumento do consumo de vertebrados.

Na Fazenda Boa Vista, os macacos se alimentam de frutos de palmeiras, que são abundantes na estação seca. Entre dezembro e fevereiro, durante o período de chuvas, a quantidade de cocos diminui e a ingestão de vertebrados aumenta. A variação indica que a carne pode funcionar como alternativa quando os frutos ficam menos disponíveis.

“Eles comem frutos, folhas, flores, invertebrados e vertebrados”, afirma Patrícia Izar, professora titular do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP e uma das autoras do artigo. Segundo ela, os macacos-prego não têm uma dieta especializada.

Caça e alimentação

Durante quatro anos, a equipe registrou quem capturava cada presa, o tipo de animal consumido e as características dos macacos, como sexo e idade. Os grupos foram observados do amanhecer ao anoitecer, em um total de 5.093 horas. Nesse período, foram identificados 446 eventos de consumo de vertebrados, em andamento ou prestes a começar.

Cérebro e vísceras costumavam ser ingeridos antes das outras partes. O cérebro é rico em lipídio, enquanto as vísceras são macias, fáceis de digerir e concentram nutrientes. Os vertebrados também fornecem proteína e gordura.

A caça ocorreu principalmente de forma individual. Os pesquisadores não observaram ação conjunta para capturar as presas, embora outros macacos se aproximassem depois da captura. “Quando o animal é caçado, os outros macacos tentam pegar pedacinhos”, relata Patrícia. Também foram registrados casos de transferência de carne ou de partes da carcaça entre indivíduos.

Os jovens acompanhavam adultos durante as refeições e tentavam obter parte do alimento, o que pode criar oportunidades de aprendizagem. O estudo, porém, não investigou diretamente como os macacos aprendem a caçar.

Machos apresentaram taxa de predação maior que fêmeas, e adultos caçaram mais que filhotes. Entre juvenis e adultos, não houve diferença significativa. Patrícia aponta como hipóteses o tamanho corporal, as necessidades de energia, o esforço exigido pela captura e os riscos da atividade.

A pesquisa integra o Projeto EthoCebus, que acompanha macacos-prego na Fazenda Boa Vista. O projeto começou em 2005, e a coleta sistemática teve início em 2006. Os resultados vieram de pesquisas de doutorado de Michele Pereira Verderane, Noemi Spagnoletti e Olívia Mendonça Furtado.

O trabalho contou com Dorothy Fragaszy, da Universidade da Geórgia; Elisabetta Visalberghi, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Cognição; e Susana Carvalho, antropóloga, primeira autora do artigo e diretora do Parque Nacional da Gorongosa. Também participaram Marino Junior, Marcos Fonseca, Arizomar da Silva e Cláudio Fonseca.

O financiamento veio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Leakey Foundation e da National Geographic.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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