A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, avalia apresentar novamente um pedido para encerrar as investigações que envolvem o filho de Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia deve usar como argumento um relatório de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça em apurações relacionadas a desvios no INSS.
Em nota divulgada na sexta-feira 4, o advogado Guilherme Suguimori disse que o documento reforça dúvidas já apresentadas pela defesa a respeito da condução dos inquéritos. Para ele, os relatórios registram possíveis problemas de legitimidade, limites e direcionamento na investigação.
O material menciona possível tratamento diferente entre Lulinha e outros investigados nos casos ligados ao INSS. Em um dos trechos, investigadores afirmam que as conclusões sobre a participação do filho de Lula não teriam “lastro probatório”. O relatório também questiona se existem elementos que comprovem que a lobista Roberta Luchsinger sabia que os valores recebidos de pessoas investigadas por desvios no INSS tinham origem em fraudes.
A defesa considera que essas conclusões justificam o encerramento das apurações. Na nota, afirma que Lulinha continua à disposição das autoridades e pretende provar sua inocência nos autos. O advogado também declarou que espera uma atuação do Judiciário caso sejam confirmadas irregularidades na investigação.
O próprio documento, porém, apresenta uma limitação: os relatórios de inteligência são classificados como “sem valor probatório”. Eles ainda registram restrições sobre a confiabilidade das informações e dizem que não podem, sozinhos, fundamentar acusações por infrações penais ou disciplinares.
Lulinha entrou no foco da Polícia Federal após a corporação identificar sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como suspeito de liderar um esquema de descontos fraudulentos. A PF também identificou pagamentos de Antunes à lobista Roberta Luchsinger durante a intermediação de negócios com o governo federal.
A inclusão de Lulinha nas apurações gerou atritos entre a Polícia Federal e o gabinete de Mendonça. Conversas encontradas no celular de Roberta levaram à solicitação de novas investigações sobre suspeitas de tráfico de influência e outros crimes relacionados a negócios em órgãos do governo. Parte dos inquéritos foi distribuída por sorteio no STF, e a relatoria de Mendonça foi definida para alguns deles.








