Domingo, 6 de setembro de 2026
Justiça

Intelis diz que relatório usado contra Mendonça não segue método de inteligência

Associação afirma que documento da Polícia Federal não atende aos parâmetros da atividade de inteligência e não tem valor probatório.

Intelis diz que relatório usado contra Mendonça não segue método de inteligência

A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Intelis) afirmou que o relatório usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir uma investigação contra André Mendonça não seguiu os parâmetros metodológicos da atividade de inteligência.

O documento foi produzido no âmbito da Polícia Federal (PF) e serviu de base para Moraes acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O pedido ocorreu após uma decisão que expôs diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro.

O relatório interno utilizado por Moraes declara não ter valor probatório. Também não apresenta cabeçalho oficial da PF nem assinatura de delegado. O documento reúne relatos anônimos segundo os quais Mendonça teria tentado interferir indevidamente no andamento de acordos de delação premiada da Polícia Federal. Há ainda a afirmação, sem identificação da fonte, de que o ministro não confiaria na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ou do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O que diz a associação

A Intelis declarou que o conteúdo divulgado não é compatível com os parâmetros definidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência, documento público que orienta a produção de conhecimentos no Sistema Brasileiro de Inteligência. A entidade destacou que essa doutrina prevê uma Metodologia de Produção do Conhecimento, com coleta, avaliação, análise, validação e difusão das informações.

“Não se trata, portanto, de mera reunião de informações, conjecturas ou opiniões”, afirmou a associação.

Segundo os profissionais da Abin, relatórios de inteligência devem analisar fatos, situações, ameaças, riscos e cenários relevantes para oferecer conhecimento qualificado a quem toma decisões. A entidade também ressaltou que esse tipo de documento não substitui procedimentos investigativos nem serve para formar elementos de autoria e materialidade próprios de uma persecução penal.

O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e solicitou manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de Mendonça.

A Intelis defendeu a análise, no Senado, do Projeto de Lei n° 6423, de 2025. A proposta estabelece diretrizes para as atividades de inteligência no Brasil, regulamenta o acesso a dados e o uso de técnicas sigilosas e prevê proteção para profissionais da área. Para a associação, limites claros reforçam a legitimidade da atividade e sua vinculação ao interesse público e ao Estado Democrático de Direito.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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