O ministro Alexandre de Moraes afirmou que André Mendonça mantém restrito o acesso de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a documentos sob sigilo relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras do Banco Master. Para Moraes, a conduta teria como objetivo proteger “determinado grupo político”.
A manifestação foi enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, em novos ofícios. Moraes disse que os demais ministros ainda não conseguem consultar integralmente os documentos do processo que será analisado pelo plenário na próxima terça-feira 15.
Mendonça havia afirmado, em despacho, que os procedimentos ligados ao caso já estavam com o sigilo levantado e disponíveis por completo aos gabinetes do tribunal. Moraes contestou a declaração: “Não é o que consta dos autos”.
O ministro classificou o procedimento adotado por Mendonça como um levantamento seletivo e direcionado do sigilo. Ele também citou um ofício de Cristiano Zanin e afirmou que o documento está guardado no gabinete do relator. Para Moraes, o fato de o material estar lacrado não impediria o compartilhamento, pois se trata de uma cópia e o original teria sua cadeia de custódia preservada.
Moraes não informou qual grupo político, especificamente, estaria sendo protegido. A acusação ocorre em meio à disputa entre os ministros, intensificada depois que Mendonça tornou públicas mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Antes dos novos ofícios, Moraes havia solicitado a retirada imediata de todo sigilo dos documentos. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República pediu a Fachin a liberação de todos os arquivos da investigação. O presidente do STF atendeu ao pedido e deu a Mendonça prazo de 24 horas para liberar as informações que ainda estariam pendentes.







