São José dos Campos, Sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Justiça

Sargento que disparou em ato pró-Lula teve armas suspensas por ameaça

Manoel Messias dos Santos entregou pistolas e munições à PM após decisão judicial motivada por relatos de ameaças contra a companheira.

Sargento que disparou em ato pró-Lula teve armas suspensas por ameaça

O 1º sargento da Polícia Militar de Sergipe Manoel Messias dos Santos, apontado como autor de um disparo para o alto durante um ato de apoio ao presidente Lula (PT), teve a posse e o porte de armas suspensos pela Justiça em 2024. A decisão ocorreu após relatos de ameaças de morte contra a companheira.

As medidas protetivas foram determinadas pelo 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Aracaju. Além da suspensão das armas, o policial foi obrigado a deixar a casa onde vivia com a companheira e os filhos e ficou proibido de se aproximar dela ou de manter contato por qualquer meio.

Em outubro daquele ano, ele entregou ao comando da 6ª Companhia Independente duas pistolas, 7 carregadores e quase 70 munições. As medidas foram revogadas em novembro do ano passado, depois que a mulher comunicou à Justiça que não queria mais mantê-las.

Relatos no processo

A então companheira afirmou que mantinha um relacionamento de cerca de 15 anos com o policial e relatou episódios de intimidação com armas de fogo, principalmente quando ele consumia bebidas alcoólicas. Segundo o depoimento, Messias exibia pistolas durante discussões e fazia ameaças de morte.

Em um dos episódios descritos, ele teria dito que mataria a mulher e se movimentado para pegar uma arma que carregava na cintura. A filha menor do casal teria ficado entre os dois para tentar contê-lo. Ao determinar as medidas, o juiz afirmou que “o risco à integridade física da vítima é concreto e notório”.

O disparo ocorreu na quinta-feira 8, em frente ao campus da Universidade Federal de Sergipe, na região metropolitana de Aracaju. Convocado pelo diretório dos estudantes da UFS, o ato discutia políticas públicas estudantis, o cenário político-eleitoral e a participação dos jovens na democracia.

Nesta sexta-feira 9, Messias foi retirado das atividades de rua. A arma usada foi recolhida, e a Secretaria de Segurança Pública determinou uma apuração administrativa pela Corregedoria da PM. A perícia foi acionada para realizar exame residuográfico, com o objetivo de verificar a presença de resíduos de disparo. A Polícia Civil também abriu inquérito para investigar as circunstâncias.

Vídeos mostram tumulto e correria depois do tiro. Testemunhas disseram que o policial chegou em um Fiat Siena prata, desceu, xingou os manifestantes e atirou para o alto. Depois, voltou ao veículo, que tinha adesivos de apoio a Flávio Bolsonaro, e deixou o local. Não houve feridos, mas estudantes relataram perda de objetos pessoais e lesões ao tentar buscar abrigo.

A UFS informou que colaboraria com as autoridades e condenou “qualquer forma de violência ou intimidação, independentemente de orientação política”. O secretário estadual João Eloy disse que a pasta não compactua com condutas contrárias à legalidade e aos princípios das forças de segurança.

Messias também foi investigado em 2019, com outro policial militar, por possível extravio de um colete antibalístico do Presídio Militar, onde trabalhava no setor administrativo. O caso foi arquivado naquele ano por falta de prova capaz de demonstrar indícios suficientes de autoria. O sargento ingressou na corporação em 1990 e estava de folga quando ocorreu o disparo.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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