Escavações na colina de Hisarlik, no noroeste da Turquia, encontraram a ágora mais antiga já identificada no local, com cerca de 2 800 anos. A descoberta indica que Troia foi repovoada entre 80 e 90 anos depois de sua queda, e não permaneceu desabitada por vários séculos.
O trabalho é conduzido pelo Ministério turco da Cultura e do Turismo e pela Universidade Çanakkale Onsekiz Mart desde 2014. Além da ágora, os arqueólogos identificaram uma rua pavimentada que levava à porta sul da cidade e encontraram cerâmicas da Idade do Ferro.
Revisão da história de Troia
Até agora, historiadores consideravam que Troia havia sido completamente abandonada após a queda, tradicionalmente datada de 1184 a.C. A interpretação aceita era de que a cidade só teria voltado a ser ocupada com a chegada dos Gregos Eólios, no século VIII a.C. Eles teriam rebatizado o local como Ilion.
A área analisada corresponde a um espaço público associado a Troia VI, fase situada entre cerca de 1700 e 1300 a.C. e considerada o período de maior esplendor da cidade antes da lendária Guerra de Troia.
Segundo Reyhan Körpe, subdiretor das escavações, os novos moradores chegaram 80 ou 90 anos depois da queda e reutilizaram as muralhas para construir suas casas. A identificação da ágora e dos demais vestígios contradiz a hipótese de um longo período sem habitantes.
Troia foi redescoberta a partir das escavações iniciadas por Heinrich Schliemann por volta de 1870. O arqueólogo alemão usou os poemas homéricos Ilíada e Odisseia como referência e dividiu a cronologia do local em nove fases principais, de Troia I a Troia IX. A antiga cidade entrou na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1998.







