O fotógrafo Alex Pantling, da Getty, registrou momentos do Mundial de futebol de 2026 e relatou como preparou imagens de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Lamine Yamal, David Alaba e da seleção espanhola. Para ele, o trabalho combina planejamento e reação imediata às mudanças de cada partida.
Pantling atua há mais de uma década em eventos esportivos, incluindo Mundiais da FIFA, partidas da Liga dos Campeões, Fórmula 1 e Jogos Olímpicos. Entre os atletas fotografados estão o piloto Max Verstappen e os jogadores Messi, Ronaldo, Harry Kane e Yamal, que tinha 19 anos.
A entrada na fotografia começou sem um plano definido. Na escola, Pantling pensava em estudar arquitetura, mas acabou experimentando a fotografia por sugestão de outra pessoa. Na Universidade de Nottingham Trent, iniciou um curso voltado à fotografia artística, com trabalhos de natureza-morta, fotografia de rua e retratos.
No segundo ano, uma professora o apresentou a Julian Finney, que o conectou a uma experiência profissional na Getty com Michael Regan, fotógrafo de futebol. Depois disso, surgiu o emprego na agência.
Planejamento e improviso
Pantling afirmou que a preparação é detalhada, mas que a capacidade de reagir é decisiva. A posição desejada pode depender da luz e da direção do ataque, mas o sorteio entre os capitães, a troca de lados e a chuva podem alterar o cenário.
“Pode planear, pode ter ideias na cabeça, mas tem de reagir quando essas ideias mudam no momento”, disse Pantling.
Para ele, um jogo de Mundial tem o mesmo trabalho técnico de uma partida da Premier League, mas carrega uma emoção diferente. O fotógrafo destacou também a experiência de registrar seleções de países menores, como Curaçao, e a importância que a presença na competição tinha para os jogadores e torcedores.
A pressão, segundo Pantling, continua presente nos grandes jogos. Ele contou que, na final do Mundial do Qatar, teve as mãos tremendo ao fotografar o primeiro gol de Messi, um pênalti cobrado na direção em que estava. A ansiedade diminuiu com o tempo, embora não tenha desaparecido completamente.
Imagens do torneio
Uma das fotografias analisadas por Pantling mostra David Alaba, da Áustria, no túnel do Kansas City Stadium. O local era comprido e estreito, com uma divisão para as equipes da casa e visitante. Nos jogos noturnos, os projetores formavam um feixe de luz sobre o rosto dos jogadores.
A imagem surgiu quando Alaba esperava colegas que ainda estavam no vestiário e permaneceu por um momento sob a luz. Pantling disse que precisou tentar o enquadramento em vários jogos até encontrar uma situação que funcionasse. Na composição, a marcação azul contrasta com o uniforme vermelho do jogador.
Outra fotografia registra Messi cobrando um escanteio em um estádio de Kansas City. Pantling escolheu um ponto baixo, atrás do banco, no nível do gramado, e usou uma lente grande angular. Ele fez cerca de 20 imagens da ação e considerou melhor aquela em que a perna do jogador aparece completamente estendida.
O fotógrafo afirmou que o ângulo inferior dava à imagem um efeito de autoridade. Antes da foto escolhida, Messi havia se aproximado para cobrar outro escanteio, mas a Argentina optou por uma jogada curta.
Ronaldo foi fotografado no túnel enquanto liderava Portugal na entrada em campo. Pantling inicialmente avaliou que a iluminação e a presença de seguranças deixavam o enquadramento confuso. Depois, posicionou-se atrás da linha reservada aos fotógrafos e incluiu câmeras e torcedores com celulares, destacando a atenção concentrada no jogador.
Yamal aparece sozinho no gramado do Los Angeles Stadium, sob feixes de luz filtrados pelo teto translúcido. A cena ocorreu depois dos hinos, quando os jogadores haviam saído para beber água ou eletrólitos. A fumaça produzida pela pirotecnia antes do início da partida criou uma neblina no estádio.
Pantling também descreveu o registro da comemoração da Espanha no vestiário. Ele esperou cerca de dez ou quinze minutos até receber autorização da FIFA para entrar. No local, jogadores, incluindo David Raya, borrifavam champanhe uns nos outros e no fotógrafo. Nico Williams o chamou para recriar uma fotografia de Michael Jordan no chuveiro com o troféu.
Segundo Pantling, havia tantas cenas acontecendo ao mesmo tempo que era difícil escolher para onde apontar a câmera sem sentir que outra imagem importante estava ocorrendo em algum ponto do vestiário.







