LISBOA — Mais de 100 ucranianas de 23 países se reuniram em Lisboa para discutir a reconstrução da Ucrânia, a preservação da identidade nacional e o combate à desinformação. As participantes integram organizações que apoiam o país desde o início da invasão russa.
A diáspora ucraniana reúne comunidades formadas antes da guerra. Nos Estados Unidos, a União Nacional das Mulheres Ucranianas foi fundada há mais de 100 anos. A guerra, porém, ampliou esse movimento: estima-se que entre 20 milhões e 25 milhões de ucranianos vivam fora do país, mais de quatro anos depois do início do conflito contra a Rússia.
Entre as pessoas que deixaram a Ucrânia desde 2022, há muitas mulheres e crianças. Essa nova diáspora também é formada por profissionais qualificados. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 76% das mulheres que fugiram do país têm diploma de ensino superior. Muitas já ocupavam cargos qualificados e tinham carreira na Ucrânia.
Experiência no exterior
Para Mariana Yevsyukova, vice-presidente da Federação Mundial de Organizações de Mulheres Ucranianas, a contribuição para a reconstrução não depende necessariamente do retorno ao país. As pessoas que permanecerem no exterior podem usar seus conhecimentos, competências e redes de contato para aproximar a Ucrânia de empresas, instituições, governos e autoridades locais dos países onde vivem.
“É dessa experiência inestimável que precisamos hoje para melhorar nosso país e fazê-lo avançar”, afirmou Yevsyukova.
A experiência adquirida no exterior também pode ser aplicada no acompanhamento de projetos e na transmissão de práticas profissionais conhecidas em países europeus. As integrantes da diáspora podem atuar como interlocutoras junto a governos, autoridades locais, meios de comunicação e empresas.
Identidade e vínculo
As organizações reunidas em Lisboa também discutiram como preservar a identidade ucraniana das crianças que crescem fora do país. A proposta inclui escolas ucranianas no exterior, ensino do idioma e transmissão da cultura e das tradições.
O objetivo, segundo essas organizações, não é impedir a integração das crianças nos países de acolhimento, mas permitir que elas mantenham o vínculo com a Ucrânia. A reconstrução, nesse entendimento, depende não apenas de estradas, escolas e moradias, mas também da preservação do capital humano.
Desde a conferência sobre a reconstrução da Ucrânia realizada em Roma, organizações da diáspora trabalham juntas na Aliança das Diásporas para a Reconstrução da Ucrânia. A iniciativa busca manter os vínculos dos ucranianos que vivem no exterior e sua participação no futuro do país.







