São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Pílula perde espaço na França, enquanto DIU lidera métodos contraceptivos

Uso da pílula entre francesas caiu de 55,8% em 2005 para 26,8% em 2023, segundo pesquisa nacional.

Pílula perde espaço na França, enquanto DIU lidera métodos contraceptivos

A pílula deixou de ser o método contraceptivo mais usado na França. Entre as mulheres de 18 a 49 anos que utilizavam algum método, a adesão ao medicamento caiu de 55,8% em 2005 para 26,8% em 2023. No mesmo período, o dispositivo intrauterino (DIU) passou à liderança, com 27,7%, segundo a pesquisa Contexto das Sexualidades na França.

A mudança também aparece em outros países, embora a pílula não tenha desempenhado o mesmo papel em todos eles. Na Alemanha, 43% das mulheres com menos de 22 anos tomavam o medicamento em 2015, ante 22% em 2024, de acordo com a operadora de saúde AOK. Outra pesquisa indica que, entre as alemãs, a preferência passou a ser pela camisinha.

Mudança geracional e desconfiança

Caroline Moreau, pesquisadora do Inserm e professora da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, descreve o movimento como geral. Para ela, as mulheres mais jovens já nasceram em um contexto no qual a pílula estava disponível e, por isso, não a associam à libertação feminina vivida pelas primeiras usuárias.

Durante décadas, o medicamento foi apresentado como uma forma de separar sexualidade e maternidade e escolher quando ter filhos. Também se consolidou em uma sequência considerada comum: camisinha no início da vida sexual, pílula quando o relacionamento se tornava estável e DIU depois dos filhos.

A oferta de métodos se ampliou com o tempo, enquanto efeitos colaterais e limitações passaram a ser menos aceitos. A queda no uso acelerou em 2012, durante a crise envolvendo pílulas de terceira e quarta gerações. A divulgação do risco aumentado de trombose reduziu o consumo desses medicamentos e ampliou a desconfiança em relação à contracepção hormonal.

Além dos riscos graves, as mulheres relatam sangramentos, ganho de peso e outros desconfortos. A socióloga Cécile Thomé afirma que esses problemas nem sempre foram reconhecidos por profissionais de saúde como razões legítimas para trocar de método.

Aos 79 anos, a ginecologista Danielle Hassoun resume a mudança de percepção: “O que para nós foi uma libertação formidável claramente já não é mais visto da mesma maneira hoje”.

Um novo alerta foi anunciado em 10 de setembro pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM), da França. O órgão informou que enviaria uma carta às usuárias de contraceptivos à base de desogestrel para alertá-las sobre o aumento do risco de meningioma. O risco absoluto é de cerca de um caso adicional para cada 67.300 usuárias de contraceptivos com desogestrel ou etonogestrel.

Busca por menos carga mental

A rejeição aos hormônios é reforçada por relatos nas redes sociais. Na Alemanha, hashtags como #pilleabsetzen, que significa “parar a pílula”, e #hormonfrei, “sem hormônios”, acompanham experiências de usuárias. Um estudo realizado na Alemanha e na Dinamarca aponta que essas discussões alteram a percepção dos riscos e incluem temas como bem-estar, humor, libido e relação com o próprio corpo.

Nas consultas, porém, a principal motivação nem sempre é evitar hormônios. Jennifer Saint-Martin Denys afirma que muitas pacientes querem reduzir a carga mental associada ao uso diário do método.

Clémence, de 25 anos, escolheu um DIU de cobre depois de dois anos tomando pílula, período em que teve esquecimentos, testes de gravidez e sustos. Ela havia recebido informações sobre pílula, DIU, implante e adesivo em um centro de planejamento familiar, aos 16 anos.

A mudança também reflete uma nova imagem do DIU. Por muito tempo, o método foi reservado a mulheres que já tinham filhos. Esse uso restrito esteve ligado a receios sobre o Dalkon Shield, modelo associado na década de 1970 a infecções pélvicas graves e problemas de fertilidade. Os dispositivos atuais não apresentam os mesmos riscos, mas o episódio influenciou práticas médicas por longo período.

Métodos não medicalizados

Algumas mulheres passaram a buscar maior compreensão do ciclo menstrual, identificação da ovulação e menor intervenção médica. Marine, de 34 anos, usou pílula, DIU hormonal e DIU de cobre antes de interromper os métodos. Atualmente, monitora o ciclo com um aplicativo e usa camisinha nos períodos férteis. Ela reconhece que a estratégia é menos confiável, mas aceita esse risco com o companheiro.

Em 2023, 28,3% das mulheres que utilizavam métodos contraceptivos recorriam a opções não medicalizadas, sendo a camisinha a escolha da maioria. Apenas 8% usavam um método considerado natural, como coito interrompido ou observação e cálculo do ciclo.

Caroline Moreau ressalta que a eficácia não é o único critério. Conforto, restrições, efeitos colaterais e a forma como cada mulher encara uma possível gravidez também influenciam a decisão. A desmedicalização, contudo, pode representar tanto uma escolha deliberada quanto dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

As especialistas destacam que a pílula continua relevante em alguns casos. Métodos hormonais podem trazer benefícios para mulheres com fluxo menstrual muito intenso, adenomiose e endometriose. Da mesma forma, opções sem hormônios não servem para todas: o DIU de cobre pode ser adequado para algumas mulheres, mas contraindicado para quem já tem sangramentos intensos.

Émilie, que tem histórico familiar de trombose e problemas menstruais, usa há vários anos o Optimizette, à base de desogestrel. O alerta sobre meningioma a preocupa, mas as alternativas são limitadas. “Acabo tendo que escolher tomar algo que não é o ideal para evitar outros problemas”, afirma.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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