A Suécia realiza eleições legislativas no domingo em uma disputa apertada entre a oposição de centro-esquerda e a coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson. As pesquisas apontam vantagem para os sociais-democratas, mas o bloco governista e seu aliado parlamentar, os Democratas Suecos, diminuíram a diferença nas últimas semanas da campanha.
Três pesquisas divulgadas na última semana deram cerca de 50% dos votos às quatro formações de esquerda e aproximadamente 47% às quatro forças de direita. O resultado pode depender de uma margem pequena e de negociações entre partidos com posições ideológicas distintas.
A direita promete manter o endurecimento contra o crime e a imigração, após anos de tiroteios e explosões associados a redes de criminalidade organizada. O governo também havia concentrado sua atuação na redução da criminalidade e dos preços da energia. Esses temas, porém, deixaram de estar entre as principais preocupações dos eleitores, de acordo com o cientista político Jan Teorell, da Universidade de Estocolmo.
A oposição defende elevar os impostos sobre bancos e pessoas de renda mais alta para ampliar os investimentos em saúde e escolas. Também promete apoiar famílias afetadas pelo aumento do custo de vida e reforçar o Estado social.
Influência dos Democratas Suecos
Os Democratas Suecos, partido de extrema-direita, obtiveram cerca de 20% dos votos nas pesquisas e esperam participar do governo pela primeira vez. A legenda defende reduzir a imigração, baixar os preços dos combustíveis e reformar o atendimento odontológico.
Kristersson tornou-se primeiro-ministro em 2022, depois que sua coalizão minoritária fechou um acordo com os Democratas Suecos. O entendimento concedeu ao partido influência significativa sobre as políticas de governo, principalmente nas áreas de crime e imigração. Kristersson prometeu oferecer cargos no Executivo à legenda, incluindo a área de migração, caso seja reeleito.
Jimmie Akesson, líder dos Democratas Suecos, afirma que o partido deve ocupar pastas importantes, mas não disputa o cargo de primeiro-ministro. Em agosto, disse que gostaria de concorrer ao posto em 2030 ou depois.
Uma organização de monitoramento do extremismo revelou, pouco mais de uma semana antes da eleição, que um funcionário parlamentar dos Democratas Suecos havia compartilhado propaganda pró-Rússia durante anos. Kristersson reagiu dizendo: “Não se pode ter pessoas que difundem narrativas pró-russas a trabalhar no parlamento.”
Segurança e defesa
Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, a Suécia abandonou décadas de não alinhamento militar, entrou na NATO e ampliou os investimentos em armamento e preparação civil. O país atribui a Moscou ciberataques, campanhas de desinformação, operações de espionagem e incidentes com drones e caças sobre o Báltico.
Governo e oposição mantêm amplo consenso sobre a NATO e a defesa. Para Teorell, uma eventual vitória da esquerda não deverá provocar grandes mudanças nessa área, mas poderá resultar em impostos mais altos e mais investimentos no Estado social. O industrial Jacob Wallenberg afirmou estar “profundamente preocupado” com possíveis efeitos sobre o setor tecnológico.
Principais candidatos
Ulf Kristersson, de 62 anos, lidera o Partido Moderado e ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2022. Seu acordo com a extrema-direita garantiu o poder ao partido, mas também contribuiu para a perda de apoio nas pesquisas. Antes, Kristersson havia prometido não negociar com os Democratas Suecos.
Durante o mandato, ele supervisionou o aumento dos gastos em defesa, políticas rígidas de migração e o reforço do combate ao crime organizado. Também foi alvo de questionamentos relacionados a uma fundação dirigida por sua mulher, Birgitta Ed, e à contratação de um amigo de infância como conselheiro de segurança nacional.
Jimmie Akesson está à frente dos Democratas Suecos há mais de 20 anos. Sob sua liderança, o partido passou de uma posição de isolamento político a um papel decisivo para a direita chegar ao poder. A legenda passou a defender a chamada “remigração”, com incentivos para que imigrantes deixem a Suécia.
Magdalena Andersson lidera a oposição social-democrata. Foi a primeira mulher a chefiar o governo sueco, entre 2021 e 2022, e perdeu as eleições de 2022 para Kristersson. Ministra das Finanças durante sete anos, ela também conduziu o processo de candidatura da Suécia à NATO e promete reforçar o Estado social.







