São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Conselho francês considera otimista previsão de crescimento para 2027

O governo estima avanço de 1,0% e quer reduzir o déficit público, mas enfrenta dúvidas econômicas e dificuldades para aprovar o orçamento.

Conselho francês considera otimista previsão de crescimento para 2027

O Alto Conselho das Finanças Públicas da França considerou otimista a previsão de crescimento de 1,0 % usada pelo governo no projeto de orçamento de 2027. Em parecer divulgado na quinta-feira, a instituição também apontou incertezas sobre a aprovação do texto e sobre o cenário econômico nacional.

O governo pretende reduzir o déficit público para 5,0 % do PIB em 2027, ante 5,4 % neste ano, por meio de um esforço de 54 bilhões de euros. A proposta reúne 43 bilhões de euros em novas medidas — 25 bilhões em economias e 18 bilhões em receitas adicionais — além de 12 bilhões de euros já definidos neste ano.

A instituição é presidida por Amélie de Montchalin, primeira presidente do Tribunal de Contas e ex-ministra da Ação e das Contas Públicas no governo de Emmanuel Macron.

Pressão sobre as contas públicas

O déficit das administrações centrais deve chegar a 5,0 % do PIB em 2027, contra 4,8 % em 2026. Entre os fatores citados estão o aumento do custo da dívida, de 10,3 bilhões de euros, das despesas de defesa, de 6,5 bilhões de euros, e da contribuição para o orçamento da União Europeia, de 2,8 bilhões de euros.

O governo projeta superávit de 0,2 % do PIB para as administrações da Segurança Social, depois de um déficit de 0,1 % em 2026. O plano inclui o congelamento parcial das aposentadorias, com economia estimada em cerca de 4 bilhões de euros, e das prestações familiares, no valor de 500 milhões de euros.

Para as administrações locais, a previsão é de melhora do déficit, de 0,2 % do PIB em 2026 para 0,1 % em 2027. Pelo lado das receitas, o projeto prevê 17,2 bilhões de euros em novas cobranças obrigatórias, incluindo 6,6 bilhões de euros com a reformulação das reduções de contribuições sociais.

Hadrien Camatte, economista sênior para França, Bélgica e zona do euro na Natixis CIB, avalia que o cenário oficial depende de hipóteses favoráveis. O governo prevê crescimento de 1 % em 2027, enquanto a Natixis estima 0,8 %. Também trabalha com taxa média de 4,3 % para títulos públicos de 10 anos, nível que, segundo o economista, já foi superado nos últimos dias, com as taxas próximas de 5 %.

Camatte afirmou que crescimento menor, juros mais altos e falta de detalhamento de algumas medidas criam risco de desvio orçamentário em 2027. Um aumento de 100 pontos-base nos juros acrescentaria 3,4 bilhões de euros ao custo da dívida no ano.

Incertezas políticas e votação

Jérôme Mathis, professor de Economia da Universidade Paris-Dauphine, disse que o governo adota uma postura de confiança ao basear suas estimativas na estabilização dos custos de energia e na retomada gradual do consumo das famílias. Para ele, o desafio dos debates parlamentares será reduzir o déficit sem frear o crescimento.

François Facchini, professor de Economia da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, considera difícil prever o crescimento de 2027. Ele citou a incerteza sobre a guerra no Oriente Médio, a instabilidade política, possíveis greves e movimentos sociais e pressões inflacionárias após ondas de calor e seca em 2026.

O governo também precisa aprovar o orçamento em uma Assembleia Nacional fragmentada, antes da eleição presidencial de 2027. Camatte apontou como possibilidades o uso do artigo 49.3, que permite a aprovação sem votação salvo a adoção de uma moção de censura, ou a edição de decretos-lei.

A aprovação pelo artigo 49.3 exigiria a abstenção do Partido Socialista ou do Rassemblement National e poderia levar à redução do esforço de economia previsto. Os decretos-lei permitiriam adotar a versão escolhida pelo governo em caso de bloqueio ao fim dos 70 dias de debate na Assembleia Nacional. Nesse cenário, a França entraria em uma situação inédita sob a Quinta República.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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