São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Líbia apreende ecstasy com imagem de Gaddafi e captagon ligado à Síria

Operações em Trípoli e Bengazi encontraram comprimidos associados a redes de tráfico que passam pela Líbia e pela Síria.

Líbia apreende ecstasy com imagem de Gaddafi e captagon ligado à Síria

Forças de segurança do governo de Trípoli apreenderam cerca de 100 000 comprimidos de ecstasy com a imagem do ex-líder líbio Muammar Gaddafi. Em uma operação separada, realizada em Bengazi, no leste do país, investigadores encontraram uma quantidade não especificada de comprimidos identificados como captagon, cuja provável origem seria a Síria.

A apreensão em Trípoli ocorreu no sábado e foi conduzida pelo Aparato de Dissuasão para o Combate ao Terrorismo e ao Crime Organizado, conhecido como Rada. Os comprimidos exibiam o busto de Gaddafi. Segundo o órgão, a carga passou por um país europeu não identificado, chegou por via marítima e estava escondida em uma van Renault Master. Os suspeitos foram detidos e apresentados ao Ministério Público.

O Rada identificou a droga como ecstasy, normalmente associada ao MDMA. O valor de mercado da carga não foi divulgado pelas autoridades. Dados disponíveis e fontes informais estimam que as 100 000 unidades poderiam valer entre 500 mil e 1,5 milhão na região ampliada do Mediterrâneo.

Captagon no leste da Líbia

Em Bengazi, a Agência de Investigação Criminal informou nesta semana ter apreendido comprimidos descritos como captagon. A cidade é controlada por forças alinhadas ao marechal Khalifa Haftar e à sua facção armada, a LNA. A agência avaliou que a Síria era o provável local de fabricação.

O captagon é um estimulante do tipo anfetamínico, barato e altamente viciante. Durante a guerra civil síria, a droga se espalhou pelos mercados do Oriente Médio e se tornou uma fonte de receitas para o regime de Bashar al-Assad. Analistas do New Lines Institute estimaram que o comércio chegou a gerar até 10 bilhões de dólares por ano, enquanto redes ligadas à família al-Assad arrecadavam cerca de 2,4 bilhões de dólares anuais.

A produção teria sido industrializada a partir de 2018-2019. Governos dos Estados Unidos e do Reino Unido sancionaram Maher al-Assad, irmão de Bashar, e associados por suposto envolvimento na produção e na exportação da droga a partir de instalações em Latakia e nas montanhas de Qalamoun, em cooperação com o Hezbollah.

Comprimidos com a imagem de Gaddafi

Autoridades líbias já haviam encontrado comprimidos com a imagem de Gaddafi. Em agosto de 2025, Bengazi apreendeu uma quantidade não divulgada de comprimidos do tipo captagon com o rosto do ex-líder. Peritos forenses os identificaram como narcóticos do tipo MDMA, e investigadores apontaram a Síria como possível origem.

No mesmo mês, outra operação encontrou 45 comprimidos de ecstasy com o rosto de Gaddafi entre 1 355 comprimidos variados. Não foi esclarecido se os diferentes lotes estão ligados às mesmas redes de produção ou tráfico.

A ligação entre o tráfico de drogas de Latakia e Bengazi é documentada há anos. Em dezembro de 2018, autoridades gregas interceptaram um navio com mais de 3 milhões de comprimidos de captagon provenientes de Latakia e destinados à cidade líbia. Outras investigações registraram a chegada a Bengazi de contêineres vindos da Síria com milhões de comprimidos.

Na avaliação de 2026, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime afirmou que a Líbia se tornou um ponto regional de trânsito cada vez mais importante para drogas sintéticas. O órgão relacionou a situação à fragmentação política do país e à fragilidade do controle das fronteiras.

Após a queda de al-Assad, em dezembro de 2024, as novas autoridades sírias destruíram instalações de produção e armazenamento de captagon. Segundo especialistas da ONU, parte da produção e do comércio continuava ativa no final de 2025, fragmentada em redes menores, sobretudo ligadas a apoiadores de al-Assad com contatos com o Hezbollah no Líbano.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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