Seis cidadãos franceses começaram a ser julgados neste domingo (20) em Bagdá, no Iraque, por crimes relacionados ao grupo Estado Islâmico (EI). Eles fazem parte de um grupo de 47 franceses transferidos do nordeste da Síria, onde permaneceram detidos por vários anos. Todos podem ser condenados à pena de morte.
Os seis homens — Charlie Sun, Kamel Ben Mbarek, Mehdi Ismaël Sida, Ibrahim Azahaf, Noureddine el-Mansouri e Najib Megherbi — compareceram ao tribunal penal de Bagdá. A audiência durou quase três horas, e o juiz apresentou as conclusões da investigação, incluindo os depoimentos dos suspeitos. Representantes da embaixada da França acompanharam a sessão. A próxima audiência foi marcada para 5 de outubro.
Suspeitos levados ainda menores
Segundo os advogados franceses Marie Dosé e Matthieu Bagard, Ibrahim Azahaf chegou à Síria aos 14 anos. O grupo inclui jovens que viajaram para a região com os pais. Noureddine el-Mansouri perdeu a nacionalidade francesa em junho de 2016, mas recorreu da decisão.
A investigação afirma que os suspeitos passaram inicialmente pela Turquia antes de seguir para áreas controladas pelo EI. Alguns compareceram vestidos com macacões laranja.
A Federação Francesa dos Direitos Humanos pediu o repatriamento dos cidadãos presos no Iraque. Mathieu Bagard, da organização Advogados Sem Fronteiras França, disse que alguns dos acusados foram levados à Síria pelos pais e podem ser considerados vítimas da guerra. Para ele, a França também tem responsabilidade por não repatriá-los.
Os tribunais iraquianos já aplicaram centenas de penas de morte e de prisão perpétua em casos de terrorismo, inclusive contra estrangeiros ligados ao EI detidos na Síria. Em 2019, cidadãos franceses foram condenados à morte, mas as penas foram convertidas em prisão perpétua após recurso.
Organizações de defesa dos direitos humanos criticam os julgamentos por terrorismo, que classificam como sumários e sem garantias processuais. A Federação Francesa dos Direitos Humanos defende a transferência dos franceses para o país de origem.
Transferências da Síria
No início de 2024, mais de 5,7 mil pessoas de cerca de 60 nacionalidades, suspeitas de pertencerem ao EI, foram levadas ao Iraque após anos em campos administrados por forças curdas no nordeste da Síria. A operação foi organizada pelos Estados Unidos depois da retirada parcial das forças curdas da região, sob pressão do Exército sírio.
Ao longo da guerra na Síria, iniciada em 2011, o EI controlou extensas áreas do país e do Iraque. A organização foi derrotada em 2017 no Iraque e em 2019 na Síria, com apoio de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.






