Donald Trump rejeitou esforços internacionais para controlar a inteligência artificial, enquanto António Guterres defendeu supervisão e limites para o uso da tecnologia em decisões de vida ou morte. Os dois apresentaram posições opostas durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Munido de um relatório científico da ONU, Guterres alertou para um risco pequeno, mas real, de danos catastróficos e irreversíveis associados à IA. Em seu discurso de despedida aos líderes mundiais, o secretário-geral afirmou: “Decidamos que escolhas de vida ou de morte nunca podem ser entregues a máquinas. Robôs assassinos não podem ter lugar no nosso futuro”.
Guterres também pediu condições para um desenvolvimento responsável e salvaguardas adicionais. O Conselho de Segurança da ONU discutirá, na quarta-feira, formas de estabelecer controle sobre a tecnologia, com a participação de nomes do setor.
Trump afirmou que os Estados Unidos rejeitam qualquer tentativa de criar um mecanismo global de controle. Ele também disse que a tecnologia deveria ser chamada oficialmente de “super inteligência”, mas os líderes que falaram depois mantiveram o termo inteligência artificial.
Cooperação e proteção
Emmanuel Macron pediu ação para proteger crianças e jovens. Alexander Stubb, presidente da Finlândia, afirmou que a IA pode transformar o mundo para melhor, mas precisa de controles fortes. Para ele, os seres humanos devem manter o comando, e a cooperação é o melhor caminho.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, defendeu um conjunto único de princípios e normas globais que permita desenvolver o potencial da IA e reduzir seus riscos. Ele indicou que a promoção de “IA para o bem” será o tema central da presidência britânica do G20 no próximo ano.
Henry Hoffmann, diretor do departamento de informática da Universidade de Chicago, avaliou que Trump e Guterres reduzem o debate a posições pouco úteis. Para Hoffmann, a discussão deveria se concentrar nos mecanismos capazes de garantir o controle sobre sistemas autônomos poderosos.
Na reunião do Conselho de Segurança, a ONU ouvirá representantes de empresas que desenvolvem esses sistemas e especialistas que defendem a criação de mecanismos de segurança. Entre os participantes estarão Sam Altman, da OpenAI; Dario Amodei, da Anthropic; e Clément Delangue, da Hugging Face.







