NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22) que a Organização das Nações Unidas atravessa seu período mais crítico desde 2003. Na abertura do debate de líderes da 81ª Assembleia Geral, ele criticou a estrutura do Conselho de Segurança, especialmente o poder de veto dos cinco membros permanentes, e disse que o órgão está imobilizado diante dos conflitos atuais.
Lula também defendeu a soberania brasileira em diferentes áreas e rejeitou interferências estrangeiras em eleições, na economia e no controle de recursos naturais. Ao tratar da relação com os Estados Unidos e da América Latina, declarou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Eleições e soberania
Na parte final do discurso, o presidente mencionou as eleições de 4 de outubro. Segundo Lula, os brasileiros escolherão entre democracia e negacionismo e também entre um futuro com mais oportunidades e o retorno a um passado de exclusão.
Ele disse que o processo eleitoral será transparente e competitivo e alertou para o uso de redes de desinformação durante a campanha. Sem citar nomes, afirmou que alguns atores políticos mantêm vínculos com interesses estrangeiros contrários ao país. Lula declarou ainda que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano.
O presidente criticou o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão e afirmou que os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos. Ao falar da economia brasileira, disse que, apesar das tarifas impostas contra o país, haverá novo recorde de exportações neste ano.
Guerras e combate ao crime
Os conflitos em Gaza e na Ucrânia ocuparam parte relevante do pronunciamento. Lula condenou o que chamou de genocídio praticado pelo governo de Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza, criticou os assentamentos israelenses na Cisjordânia e voltou a defender a solução de dois Estados. Também afirmou que civis israelenses sofreram as consequências dos atos terroristas do Hamas.
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, defendeu uma solução negociada e citou o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China. Para Lula, “A diplomacia é a única opção”.
Na área de segurança, o presidente afirmou que o Brasil não subestima o crime organizado, mas não pretende transferir a outros países a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras. Ele defendeu cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece organizações criminosas e mencionou uma proposta apresentada ao presidente dos Estados Unidos para combater a lavagem de dinheiro feita por criminosos brasileiros no exterior.
Lula também citou a Lei Antifacção e disse que o combate à corrupção continuará sendo uma prioridade.
Tecnologia, recursos naturais e trabalho
O discurso incluiu a defesa de regras para as Big Techs e para a Inteligência Artificial. Lula criticou o que chamou de tentativa de ressuscitar um neoliberalismo digital sem regras e transparência. Também afirmou que o PIX, descrito como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos, não será privatizado sob pressão de multinacionais.
Ao tratar das apostas online, as chamadas bets, o presidente disse que a expansão do setor endivida famílias e transforma o vício em lucro.
Na transição energética, Lula afirmou que os minerais críticos e as terras raras do Brasil pertencem ao povo brasileiro. Segundo ele, a exploração desses recursos deverá gerar valor dentro do país, promover transferência de tecnologia e abastecer setores estratégicos nacionais.
Na agenda interna, defendeu o fim da escala 6x1 para garantir aos trabalhadores dois dias livres por semana. Relacionou a medida à ampliação do tempo para descanso, qualificação e convivência familiar, além da redução da sobrecarga doméstica que recai sobre as mulheres. O presidente também mencionou o combate ao feminicídio.
Ao encerrar, Lula disse que os países precisam escolher entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação. Também alertou que o aumento das tensões geopolíticas e uma nova corrida armamentista podem elevar o risco de conflitos regionais alcançarem proporções globais.







