MADRID — A estreia do circuito urbano de Madring foi acompanhada por protestos contra o custo do projeto, o barulho dos motores e os efeitos ambientais da prova. Na pista, Kimi Antonelli aproveitou uma estratégia favorável da Mercedes e venceu o Grande Prêmio de Madrid, enquanto a Fórmula 1 apresentou aplicações de inteligência artificial desenvolvidas para orientar decisões de corrida e reforçar a segurança digital.
A plataforma StopF1 Madrid classificou o empreendimento como um “parque temático” financiado com recursos públicos. O grupo afirmou que o projeto deveria ser comparado a necessidades como habitação acessível, transporte público sustentável e adaptação climática. O custo divulgado foi de 200 milhões de euros, além de um pagamento anual de cerca de 50 milhões à Liberty Media.
A Greenpeace estimou o impacto do evento em 43.000 toneladas de CO2 e registrou níveis de ruído acima de 100 dB. Moradores da área de IFEMA e Valdebebas também reclamaram das obras e do som dos motores.
Uma pista com acidentes e estratégias decisivas
Madring fica na zona de IFEMA-Valdebebas e foi projetado pelo estúdio italiano Dromo, responsável por Yas Marina e por remodelações em Zandvoort e Spa-Francorchamps. O traçado tem 5.419 metros, 22 curvas e uma reta principal de 589 metros, na qual os carros passam de 320 km/h antes de reduzir para 100 km/h.
A reta mais longa mede 837 metros. O circuito também inclui La Monumental, uma curva inclinada com 24% de inclinação e entre 547 e 550 metros de comprimento. O ponto mais alto está a 697 metros acima do nível do mar, e o mais baixo, a 671 metros.
A dificuldade apareceu antes da corrida principal. Os dois dias de testes da Fórmula 3 em agosto tiveram 19 bandeiras vermelhas, sendo 11 por colisões com as barreiras. Nos Treinos Livres 3 da Fórmula 1, Lewis Hamilton e Ollie Bearman se envolveram em acidentes que interromperam a sessão. Kimi Antonelli liderou o treino com 1:32,797, à frente de Charles Leclerc e Oscar Piastri.
Na prova, Norris retomou a liderança depois de um erro de Antonelli na primeira curva. Verstappen ultrapassou Hamilton e voltou a atacar quando Antonelli errou nas curvas 5-6. Alonso danificou o aerofólio em um toque com Sainz, que recebeu uma punição de cinco segundos, e outro Aston Martin abandonou por problemas nos freios.
Um carro de segurança virtual favoreceu Antonelli e os demais pilotos que pararam nos boxes naquele momento. Norris fez sua parada uma volta depois, quando o VSC já havia terminado, e ainda perdeu sete segundos em um problema com uma roda. Terminou em quinto. Leclerc liderou por dois terços da prova, mas ficou fora do pódio após trocar os pneus oito voltas antes do fim. Antonelli venceu.
Tecnologia além da pista
A inteligência artificial foi apresentada como parte da operação da Fórmula 1 durante o Madring Tech Summit, realizado na Real Casa de Correos antes da corrida. A ElevenLabs demonstrou uma voz sintética capaz de reproduzir a fala do piloto da Audi Nico Hünkelberg.
A AWS desenvolveu o Track Pulse, painel que combina dados em tempo real sobre desgaste de pneus, ritmo e diferenças entre carros com informações de corridas anteriores. A ferramenta identificou em 2025 que Charles Leclerc prolongava o uso dos pneus médios e previu, com cinco voltas de antecedência, um duelo entre Norris e Hamilton na Arábia Saudita.
A Globant apresentou a plataforma Pitwall, que reúne mais de 30 canais de vídeo, telemetria e rádio. Na cibersegurança, a Crowdstrike desenvolveu agentes de inteligência artificial que simulam ataques e defesas continuamente. A Siemens fornece gêmeos digitais para testes virtuais de peças, enquanto a Cisco sustenta a infraestrutura de rede usada na transmissão dos dados.
Nas categorias de base, Ugo Ugochukwu venceu o título de pilotos da Fórmula 3 pela Campos Racing. Dino Beganovic ganhou a corrida de Fórmula 2, à frente de Alex Dunne e Miyata. A prova teve 32 voltas; Kush Maini bateu na segunda, e um acidente entre Rafael Câmara e Goethe, na volta 19, provocou outra entrada do carro de segurança.







