São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Mao continua símbolo oficial da China, entre homenagens e silêncio sobre tragédias

Cinquenta anos após sua morte, Mao segue associado à fundação da China, enquanto críticas ao seu legado permanecem restritas.

Mao continua símbolo oficial da China, entre homenagens e silêncio sobre tragédias

Cinquenta anos após sua morte, Mao Tsé-Tung continua sendo apresentado como um dos fundadores da China comunista. Seu retrato permanece na Praça da Paz Celestial, em Pequim, aparece nas cédulas e está ligado à fundação da República Popular da China.

Em Shaoshan, cidade natal do antigo dirigente, na província de Hunan, foram realizadas homenagens para marcar o aniversário da morte de Mao. Simpatizantes fizeram fila diante de uma estátua de bronze de dez metros, depositaram coroas de crisântemos e levaram retratos, túnicas associadas ao líder e exemplares do Livro Vermelho.

Na noite anterior, quase mil pessoas participaram de uma cerimônia diante do monumento. O grupo cantou músicas revolucionárias e gritou: “Viva o presidente Mao!”. Em Pequim, aposentados continuam entoando as chamadas canções vermelhas em parques da capital.

Memória e contradições

Entre os mais velhos, Mao é lembrado principalmente como o fundador da China popular e como o dirigente que, segundo a narrativa oficial, teria devolvido soberania ao país após um período de invasões e humilhações estrangeiras. Ding Yinan afirmou que o líder permitiu que a nação se levantasse e libertou as massas trabalhadoras.

Essa memória deixa em segundo plano episódios como o Grande Salto Adiante, campanha de industrialização lançada no fim dos anos 1950 e associada a uma das maiores fomes da história moderna. As estimativas sobre o número de mortos variam entre historiadores; algumas chegam a 40 milhões, sem consenso.

A Revolução Cultural, iniciada em 1966, também foi marcada por perseguições políticas, expurgos, violência e desorganização social. Professores foram perseguidos e agredidos, livros foram destruídos e milhões de pessoas sofreram perseguições durante uma década de turbulência.

Para Jean-Philippe Béja, diretor de pesquisa emérito do Centro Nacional de Pesquisa Científica, Mao reúne o papel de fundador da República Popular e a responsabilidade por acontecimentos que podem ser classificados como crimes. A historiografia oficial chinesa, porém, costuma tratar esses episódios como deslizes.

Limites para as críticas

Mao proclamou, em 1º de outubro de 1949, a fundação da República Popular da China em Pequim. A cena continua associada à legitimidade histórica do Partido Comunista, o que dificulta o questionamento público de sua imagem.

Béja afirmou que criticar Mao publicamente pode trazer riscos, incluindo prisão e desaparecimento. O artista Gao Zhen foi condenado a três anos de prisão por trabalhos que caricaturavam o antigo líder. Entre as obras havia representações de Mao como mulher e outra em que ele aparecia ajoelhado, pedindo perdão.

Entre os jovens, Mao tende a ser visto mais como uma figura histórica distante. Isso não implica necessariamente rejeição: um jovem afirmou considerá-lo um grande homem e fundador da nova China, além de avaliar que suas ideias ainda podem servir de referência.

Em Shaoshan, as autoridades transformaram a memória do líder em parte do chamado turismo vermelho, com museus, monumentos e cerimônias. Mao nasceu na cidade em dezembro de 1893, e sua imagem passou a integrar a economia turística local.

O Partido Comunista reconheceu oficialmente a existência de erros graves no período maoísta, mas continua apresentando Mao como grande revolucionário e fundador da República Popular. Descartar completamente seu legado poderia colocar em questão parte da narrativa de legitimidade do partido.

A homenagem ocorre em meio à desaceleração econômica chinesa e ao retorno, entre alguns setores da população, da nostalgia por ideais igualitários associados ao período maoísta. Esse sentimento não representa necessariamente um desejo de voltar ao maoísmo e também pode expressar reação às desigualdades e incertezas econômicas atuais.

Na China de 2026, Mao permanece ligado à soberania nacional, à unidade do país e à fundação do Estado contemporâneo. Ao mesmo tempo, a fome, a perseguição e a violência associadas a seu governo continuam difíceis de discutir abertamente.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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