O chanceler alemão Friedrich Merz chegou a Kiev neste domingo (4) em uma visita não anunciada para demonstrar apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia. A viagem ocorre enquanto aumentam as denúncias de incursões russas no espaço aéreo de países europeus.
Após desembarcar, Merz disse que a Ucrânia precisará do apoio alemão nas próximas semanas e alertou que, caso a Rússia não seja detida, sua estrutura militar poderá se voltar contra outros países. O chanceler afirmou ainda que diria ao presidente Volodymyr Zelensky que os ucranianos podem continuar contando com a ajuda da Alemanha.
Merz viajou acompanhado da ministra da Economia, Katherina Reiche, segundo fontes do governo em Berlim. A visita também destaca a cooperação entre empresas alemãs e ucranianas.
A ida a Kiev aconteceu um dia depois de a Rússia pedir que diplomatas e estrangeiros deixassem a capital ucraniana. Moscou afirmou que continuaria realizando ataques de retaliação em massa contra a cidade. Um alerta semelhante havia sido feito em maio, mas líderes de países aliados da Ucrânia seguiram visitando Kiev.
Nas últimas semanas, a capital ucraniana foi atingida por ondas quase diárias de drones, incluindo modelos a jato, mais difíceis de interceptar. A Ucrânia enfrenta escassez de sistemas de defesa antiaérea. Uma ponte foi atingida na manhã de sábado (3), depois de ataques russos com drones provocarem congestionamentos em várias regiões da cidade e atingirem outra estrutura de travessia do rio Dnieper.
A viagem de Merz ocorre também em meio ao aumento de incidentes com drones russos em outros países europeus. A Moldávia convocou o embaixador da Rússia após uma nova incursão de mísseis e drones vindos da Ucrânia. Segundo as autoridades moldavas, cinco drones e mísseis explodiram perto de localidades do país, causando danos materiais, mas sem vítimas.
No fim de setembro, Chisinau havia informado que precisou fechar repetidamente seu espaço aéreo por causa desses episódios. A presidente Maia Sandu afirmou que a guerra russa na Ucrânia está atingindo a Moldávia e escreveu na rede social X que Moscou coloca vidas em perigo em toda a Europa.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, a Moldávia registrou 81 violações com mísseis e drones de fabricação russa e iraniana. De acordo com o país, 44 desses casos ocorreram neste ano.
Romênia e Alemanha também relataram incidentes. No início de setembro, um drone quase atingiu o avião que levava Zelensky durante a decolagem em território moldavo. A Alemanha registrou tentativas de sabotagem contra sua rede elétrica e acusou Moscou de estar por trás de um ataque híbrido com um drone carregado de explosivos no aeroporto de Leipzig, em agosto.







