LISBOA — O sistema Volta, que prevê a devolução de garrafas e latas mediante depósito, é alvo de um pedido de cancelamento imediato feito por Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ele afirma que a medida passou a representar um custo para os consumidores e problemas de higiene urbana.
As declarações foram dadas durante uma reunião da Assembleia Municipal de Lisboa sobre a atuação do executivo municipal entre junho e agosto. Moedas defendeu a reciclagem e a reutilização, mas disse que a política ambiental não pode transferir custos para quem compra os produtos nem produzir problemas sociais.
“É uma boa intenção. É um mau resultado”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ele também pediu ao Governo português que siga o exemplo da França e encerre o sistema imediatamente.
Como funciona o sistema
Em vigor desde 10 de abril, o Volta recebe garrafas plásticas descartáveis e latas de alumínio ou aço com capacidade inferior a três litros. O consumidor paga um depósito de 0,10€ por embalagem e pode recuperar o valor integralmente ao entregá-la em qualquer ponto de recolha registrado, sem depender do local onde fez a compra.
A iniciativa foi criada para ajudar Portugal a alcançar, até 2029, a meta de recolher 90% das garrafas e latas abrangidas pelo Sistema de Depósito e Reembolso.
Petição reúne assinaturas
A oposição ao modelo também chegou ao Parlamento. Uma petição apresentada em agosto pede o fim do sistema e, à data da publicação do texto, reunia mais de 39 800 assinaturas. O documento solicita a suspensão imediata do Volta e uma auditoria independente sobre os aspectos financeiro, operacional e ambiental da SDR Portugal, entidade sem fins lucrativos licenciada pelo governo e responsável pela gestão do programa.
A petição afirma que o sistema transfere custos das empresas para os consumidores. Entre as críticas está a associação do Volta a episódios de retirada descontrolada de embalagens de contêineres e ecopontos amarelos, em busca de itens que possam ser devolvidos por dinheiro. O resultado apontado é o acúmulo de sujeira em vias públicas.
Também há defensores da medida, que destacam seu potencial ambiental e a possibilidade de arrecadar recursos para projetos individuais e doações sociais.







