BRUXELAS — Um monólogo teatral sobre o assassinato do rapper grego Pavlos Fyssas foi apresentado no Parlamento Europeu, em Bruxelas. A montagem recupera o crime cometido por um integrante do partido neonazista Amanhecer Dourado, o julgamento de integrantes da organização e o avanço da extrema-direita na Europa.
A atriz Dora Chryssikou interpreta uma mulher que testemunhou o assassinato. A personagem é apresentada como uma pessoa comum, próxima dos espectadores, que enfrenta os próprios medos poucas horas antes de prestar depoimento no julgamento. O texto foi escrito por Maria Louka a partir de depoimentos reais, com encenação de Korais Damatis.
A história se passa em torno dos acontecimentos de 18 de setembro de 2013, quando Fyssas foi assassinado. Dora Chryssikou afirmou que acompanhou o julgamento e que essa experiência contribuiu para a criação do espetáculo. Segundo ela, a peça também busca contar a história por meio da família do rapper.
A apresentação foi organizada após um convite do eurodeputado do PASOK Nikolas Farantouris. O espetáculo teve legendas em inglês e francês e ocorreu em um momento de crescimento da extrema-direita nas eleições recentes na Alemanha e em outras partes da Europa. A montagem também coincidiu com a libertação de Kasidiaris e com o anúncio de sua intenção de retornar à política.
Para Chryssikou, a peça trata da tendência de pessoas comuns se manterem afastadas da política até que a violência ou o autoritarismo cheguem ao cotidiano. Farantouris afirmou que levar a montagem ao Parlamento Europeu foi um gesto simbólico de oposição ao fascismo e à agenda da extrema-direita. O eurodeputado também disse que não se deve aderir ao medo nem negociar com quem pretende derrubar a democracia.







