O Partido Popular Europeu (PPE), maior grupo político do Parlamento Europeu, prepara um documento para defender uma relação econômica mais equilibrada com a China, com maior pressão comercial e manutenção do diálogo. A proposta rejeita uma confrontação aberta e uma separação total entre os dois lados.
O documento preliminar é elaborado por eurodeputados do PPE que integram a Comissão do Comércio Internacional e deverá ser concluído em meados de outubro, após a próxima cúpula do Conselho Europeu. A versão inicial prevê o uso mais firme dos instrumentos de defesa comercial já disponíveis na União Europeia e a criação de mecanismos contra a concorrência desleal.
A proposta também estabelece que as medidas sejam proporcionais e temporárias, com o objetivo de ampliar o poder de negociação da UE, e não de criar um protecionismo permanente. O texto trata do reequilíbrio do comércio e dos investimentos, do controle de exportações, dos direitos de propriedade intelectual e da reforma da Organização Mundial do Comércio.
A Comissão Europeia definiu outubro como prazo para obter concessões do governo chinês. Depois disso, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que o bloco está preparado para adotar “medidas mais duras”.
Dependência econômica
A UE demonstra preocupação crescente com os desequilíbrios econômicos em relação a Pequim e com o aumento do déficit comercial. Autoridades europeias atribuem o cenário ao excesso de capacidade industrial chinesa e aos subsídios estatais que prejudicam concorrentes europeus.
O PPE defende a diversificação das cadeias de abastecimento e a redução da dependência de matérias-primas críticas. Para isso, propõe a ratificação e a ampliação de acordos de livre comércio com parceiros como Mercosul, Índia, Indonésia e Austrália.
O documento também prevê controles aduaneiros mais rigorosos e fiscalização ampliada das plataformas de comércio eletrônico. A Comissão Europeia prepara uma reforma para enfrentar falhas de aplicação que permitem a entrada de produtos ilegais no mercado da UE.
Aviação, semicondutores, indústria farmacêutica e biotecnologia são apontados como setores que o bloco deve fortalecer para diminuir a dependência econômica de Pequim. O PPE reúne o maior grupo de eurodeputados do Parlamento Europeu e 14 dos 27 comissários da Comissão Europeia.







