DOHA — O Qatar busca reabrir o estreito de Ormuz à navegação livre enquanto mantém contatos entre Washington e Teerã para tentar encerrar a guerra. O conflito interrompeu o tráfego marítimo na passagem e prejudicou as exportações dos países do Golfo.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Majed Al Ansari, disse que reuniões foram realizadas nos últimos dias e que Doha tem transmitido mensagens entre as partes. Ele não informou até que ponto as negociações avançaram.
Pressão sobre a economia
Em uma conferência de imprensa em Doha, Al Ansari afirmou que a guerra com o Irã exerce pressão “insuportável” sobre a economia mundial. Questionado sobre a capacidade de um acordo, disse que o papel do Qatar é superar obstáculos e reduzir as diferenças entre os dois lados.
O porta-voz alertou que uma nova escalada causaria mais sofrimento na região. Apesar de o Qatar ter sido atingido por mísseis vindos do Irã, afirmou que o país continua defendendo uma solução pacífica e mantém contatos com Teerã.
Al Ansari destacou que o Golfo exporta, além de petróleo e gás, ureia e amônia, usadas na agricultura e na fabricação de fertilizantes. A região também fornece hélio, produtos petroquímicos e alumínio. Segundo ele, a interrupção dessas atividades pode afetar a renda de colheitas em países vulneráveis e levar regiões que abandonavam o carvão a voltar a utilizá-lo. A pressão, acrescentou, pode aumentar com a aproximação do inverno.
Segurança e navegação
O porta-voz afirmou que os países do Golfo, o Iraque e a Jordânia não escolheram participar do conflito entre o Irã e os Estados Unidos e não têm disputas próprias pendentes com Teerã. Para ele, uma solução duradoura também precisará incluir acordos de segurança regional baseados na coexistência e na não agressão.
A guerra começou no final de fevereiro, com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O Qatar defende que a liberdade de navegação em Ormuz seja plenamente restaurada como parte de qualquer acordo de paz entre Washington e Teerã.






