O depoimento de Johanna, montanhista e professora de inglês, levou a polícia catalã a investigar novas conexões entre Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, Isak Andic, e a terapeuta Julia Lüderwaldt. Jonathan é investigado pelo presumível homicídio do pai.
Lüderwaldt teria desenvolvido um método que simulava o ato de empurrar por um precipício um familiar odiado. A proposta foi inicialmente pensada para Salvador, um paciente esquizofrênico que direcionava a agressividade contra a mãe. A ideia era levá-lo à serra de Montserrat, onde a terapeuta representaria a mãe junto à borda de um precipício e pediria que ele a empurrasse.
Jonathan demonstrou interesse pelo método e se ofereceu para acompanhar a sessão como observador. De acordo com o depoimento, a relação entre ele e Lüderwaldt também envolvia esforços do empresário para impulsionar a carreira da terapeuta, que não tinha inscrição em uma ordem profissional nem acreditação oficial como psicoterapeuta.
Visitas ao percurso
A pedido da terapeuta, Johanna ajudou a localizar uma rota com falésias. Em 1 de dezembro de 2024, as duas inspecionaram o Camí de les Feixades, trajeto onde 13 dias depois Isak Andic morreria. Durante a visita, Lüderwaldt disse inicialmente que o caminho seria usado por Salvador, mas depois afirmou que também poderia servir para Jonathan, mencionando apenas que ele tinha problemas na gestão do dinheiro.
Jonathan voltou sozinho ao local nos dias 8 e 10 de dezembro. Em 14 de dezembro, retornou acompanhado do pai, que teria sido convencido a caminhar e conversar a sós com ele. Segundo Johanna, Jonathan havia dito que o percurso seria para levar uma sobrinha e que a atividade seria um presente de Natal. Durante a caminhada, ele não mencionou o pai.
A professora entregou à polícia o telefone com mensagens trocadas com Lüderwaldt. Em uma conversa posterior à queda de Isak, Johanna perguntou se a terapeuta sabia o que havia acontecido. Lüderwaldt respondeu: “Mais vale nem querer saber, não vá eu ser a próxima”.
Análise de dados e viagem ao Equador
A juíza Raquel Nieto determinou que a análise do telefone e da nuvem de Isak abrangesse todo o ano de 2024, ampliando o período inicialmente autorizado de seis meses. Os Mossos d’Esquadra receberam a orientação de filtrar os dados relacionados ao caso.
A magistrada também pediu um relatório sobre a viagem de Jonathan a Quito, quatro meses após a morte do pai. Ele teria viajado ao Equador para tratar de um projeto editorial de Lüderwaldt: um livro sobre seu método terapêutico baseado em sete cronologias.
Em julho, Nieto determinou a reconstituição da viagem, considerada um dos sete indícios contra Jonathan. Durante a estadia, ele teria relatado o roubo de um iPhone 14 em uma praça pública. Os investigadores foram encarregados de verificar gastos com cartão, chamadas feitas a partir do Equador e eventual uso do aplicativo de localização da Apple. O primeiro relatório policial confirmou que Jonathan viajou levando o aparelho.
A juíza também mencionou a possibilidade de participação de “terceiras pessoas”. Lüderwaldt foi ouvida como testemunha pela última vez em 30 de junho, mas os investigadores ainda mantêm aberta a possibilidade de que ela seja formalmente incluída como investigada no processo.







