ANTALYA — A União Europeia quer que a COP31 priorize a execução de compromissos climáticos já assumidos, com medidas para acelerar a energia limpa e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A conferência será realizada em Antalya, em novembro.
As conclusões preliminares do Conselho da UE, datadas de 14 de setembro, afirmam que as ações atuais ainda não são suficientes para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, meta central do Acordo de Paris. O documento defende a expansão mais rápida das energias renováveis, maior eletrificação, a duplicação dos ganhos de eficiência energética e a redução do metano e de outras emissões que não estão associadas ao CO2 até 2030.
Os embaixadores do bloco querem que a conferência registre “progressos tangíveis” na redução das diferenças entre a ambição declarada pelos países e a aplicação efetiva das políticas. A proposta também pede que os maiores emissores atuem para retornar a uma trajetória compatível com 1,5 °C e limitar a intensidade e o tempo de um eventual excesso de aquecimento.
A preocupação é compartilhada pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente, que alertou para a proximidade do mundo em relação ao limite de 1,5 °C. No início do verão, o comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, afirmou que as últimas COP ficaram abaixo do progresso necessário para enfrentar a crise climática.
A UE também pretende associar a transição energética à segurança no abastecimento e à redução de dependências estratégicas. Segundo o Conselho, fontes renováveis, energia de baixo carbono, eficiência energética e eletrificação podem contribuir para esses objetivos, além de reduzir custos.
Na adaptação, o bloco quer que todos os países incluam seus Planos Nacionais de Adaptação nos planos de investimento e nas estratégias de desenvolvimento. A posição considera que a política climática deve tratar tanto da redução do aquecimento futuro quanto dos danos que já ocorrem.
O financiamento será um dos pontos mais difíceis da negociação. A UE defenderá mais recursos para países em desenvolvimento nas áreas de mitigação, adaptação e perdas e danos, além de reafirmar a intenção de triplicar o financiamento para adaptação. O documento ressalta, porém, que recursos públicos sozinhos não alcançam o volume de investimento necessário.
Sven Harmeling, responsável pela área de clima da Climate Action Network Europe, apoiou a defesa dos 1,5 °C, da triplicação das renováveis e da adaptação, mas questionou a falta de clareza sobre a contribuição financeira europeia. “O projeto continua a evitar a questão central: o que vai a UE, concretamente, pôr em cima da mesa?”, afirmou.
A Turquia, anfitriã da COP31, ainda prioriza combustíveis fósseis, segundo estudo do Climate Action Tracker sobre o setor elétrico do país. Ao mesmo tempo, a UE pretende defender o multilateralismo e reformas para tornar a cooperação climática internacional mais eficaz e inclusiva.







