ROVANIEMI — Líderes da União Europeia (UE) se reúnem nesta segunda-feira (14), em Rovaniemi, no norte da Finlândia, para discutir o fortalecimento da presença do bloco no Ártico. A região ganhou importância geopolítica em meio às tensões envolvendo a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participam do encontro. Também estarão presentes o presidente romeno, Nicușor Dan, e o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.
A reunião foi idealizada por Tuomas Tikkanen, assessor do primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo. Segundo Tikkanen, o objetivo é reforçar a estratégia comum da UE para o Ártico, cuja importância econômica e geopolítica continua crescendo. Ele também afirmou que a mudança no ambiente de segurança aumentou o interesse pela região.
A Comissão Europeia deve apresentar nas próximas semanas uma nova estratégia para o Ártico. O documento definirá as diretrizes de Bruxelas para os próximos anos, mas os Estados-membros ainda poderão influenciar sua versão final. Nenhuma decisão formal deve ser tomada na reunião. Os líderes devem aprovar uma declaração conjunta e tratar de temas econômicos e de segurança.
A Groenlândia está no centro da crise entre aliados ocidentais depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar tomar a ilha. Após as declarações, a Otan lançou uma missão voltada ao reforço da segurança no Ártico. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visitou a Groenlândia no início de setembro e levou um pacote de € 200 milhões. Na ocasião, prometeu que a UE seria “mais presente e mais engajada na Groenlândia e no Ártico”.
Clima, recursos e rotas marítimas
A região aquece quase quatro vezes mais rápido que a média mundial, segundo especialistas, afetando ecossistemas e populações que dependem desses territórios. O recuo do gelo também facilita novas possibilidades econômicas e estratégicas.
Rússia, China e Estados Unidos ampliaram sua atuação no Ártico em busca de recursos naturais e de novas rotas marítimas. Em agosto, embarcações chinesas e sul-coreanas transportaram contêineres pela Rota Marítima do Norte, que passa por águas territoriais russas, em um teste de viabilidade. A passagem pode ser utilizada durante períodos cada vez mais extensos à medida que o gelo marinho recua.







