BRUXELAS — A União Europeia apresentou planos para criar uma rede de comunicação destinada a polícias, bombeiros e outros serviços de emergência em operações que atravessem fronteiras. O sistema, chamado EU Critical Communication System, deverá migrar as comunicações do rádio para tecnologias de banda larga, como o 5G, com apoio de satélites caso as redes terrestres falhem.
Atualmente, as equipes de emergência dos 27 países do bloco dependem principalmente do rádio. De acordo com Bruxelas, os canais seguros costumam deixar de funcionar quando os agentes cruzam fronteiras nacionais, o que dificulta operações internacionais.
A proposta prevê que a UE coordene a comunicação entre os sistemas nacionais por meio de um centro de ligação central. Também está prevista a criação de um centro de monitoramento para acompanhar riscos de cibersegurança e apoiar os Estados-membros.
Com a banda larga, as equipes poderão compartilhar vídeos, mensagens e dados de geolocalização em tempo real, geralmente por smartphones. O plano não determina a adoção de um dispositivo específico. As forças armadas também poderão usar o sistema, se desejarem.
“Quando a crise surge, as nossas equipas de primeira intervenção têm de conseguir comunicar instantaneamente entre agências, entre países, em toda a Europa”, afirmou Magnus Brunner, comissário europeu dos Assuntos Internos.
Exemplos citados pela UE
Brunner mencionou um incêndio ocorrido neste verão na reserva natural de Hautes Fagnes, na Bélgica, perto da fronteira com a Alemanha. Segundo ele, o rádio parava de funcionar quando um integrante da equipe de emergência atravessava a fronteira.
Outro caso citado foi um tiroteio nos Países Baixos, a 200 metros da Bélgica, que gerou uma perseguição policial entre os dois países. O centro operacional neerlandês em Maastricht não conseguiu avisar diretamente seus homólogos em Liège, na Bélgica, nem os agentes em campo.
A UE também aponta possíveis aplicações em incêndios florestais, operações de contraterrorismo, ameaças com drones e missões de busca e salvamento no Mediterrâneo.
A Comissão Europeia informou que empresas europeias desenvolverão os componentes críticos do sistema. Airbus, Leonardo e Frequentis participaram de um projeto-piloto, segundo responsáveis da UE que falaram sob condição de anonimato. A proteção via satélite poderá usar a constelação Iris², que está em desenvolvimento.
Bruxelas pretende que a rede esteja plenamente operacional até 2036. Antes disso, o plano precisa ser aprovado pelos Estados-membros e pelo Parlamento Europeu.







