CEUTA — A transferência de milhares de migrantes das praias do Trampolín e Benítez para um espaço de acolhimento no porto de Ceuta foi marcada por correria, tensão e disparos de aviso feitos pela Polícia Nacional. A operação começou pouco depois das 6h30, no horário local, com patrulhas da Guardia Civil reunindo as pessoas e conduzindo-as a pé por cerca de dois quilómetros.
A situação se agravou quando os primeiros grupos chegaram à praia de Benítez e se juntaram aos migrantes que ainda estavam no acampamento. O aumento da concentração levou parte da multidão a correr em direção ao recinto portuário, segundo a descrição da operação. A Polícia Nacional reforçou o controle da marcha e alguns agentes dispararam para o ar diante da dificuldade de conter o deslocamento.
O espaço instalado no porto tem capacidade para 1.800 pessoas. Nas praias, porém, havia mais de 4.000 migrantes, segundo a estimativa apresentada no local. O número exato dependerá da conclusão das transferências e do registro de todas as pessoas no novo centro.
Capacidade e disputa sobre o porto
O acampamento é o quinto espaço temporário criado pelo governo espanhol desde a entrada de mais de 70.000 pessoas vindas do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho. Muitos migrantes estavam havia mês e meio vivendo nas ruas, em condições precárias, à espera de vaga em um dos centros.
A Audiência Nacional rejeitou uma medida cautelar apresentada pelo Sindicato Unificado de Polícia (SUP) para suspender a instalação das tendas. O sindicato considerava o porto uma infraestrutura crítica para a cidade autônoma e havia apontado que o local foi concebido para cerca de 1.700 migrantes.
Ana Alarcón, porta-voz do SUP, afirmou que “o porto não é um lugar seguro”. Já o vice-presidente de Ceuta, Alejandro Ramírez, disse que o governo improvisou e que a montagem foi feita às pressas. Segundo ele, o número de intervenções no porto passou de 80 para mais de 1.000 em 50 dias.
O governo central assumiu o controle de parte do porto em 5 de setembro. O Ministério dos Transportes, comandado por Óscar Puente, destinou a área do cais de Ponente à instalação dos pavilhões após a Autoridade Portuária de Ceuta se recusar a ceder o espaço.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Albares, também apresentou medidas para avançar na integração de Ceuta e Melilha à União Europeia. O plano prevê postos permanentes para as duas cidades no Comitê das Regiões, maior presença da Frontex e uma tentativa de obter tratamento específico no próximo Quadro Financeiro Plurianual da UE.
O ministério informou ainda que coordena com outras pastas a integração de Ceuta e Melilha à União Aduaneira. Albares defendeu que a União Europeia considere a pressão migratória enfrentada pelas cidades, que formam a única fronteira terrestre do bloco com a África.







