A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, lidera a disputa eleitoral na Saxônia-Anhalt, no centro-leste da Alemanha, e pode conquistar pela primeira vez o comando de um governo estadual desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A votação será realizada neste domingo (6).
A pesquisa mais recente do Insa aponta 43% das intenções de voto para a AfD, contra 22% para a União Democrata-Cristã (CDU). O partido é liderado na região por Ulrich Siegmund, de 35 anos, atual deputado e principal candidato da legenda.
Siegmund ganhou projeção nas redes sociais com ataques à imigração, defesa de uma identidade nacional e críticas à imprensa. Durante a campanha, também participou de eventos ao ar livre, nos quais tirou selfies, autografou camisetas e serviu cerveja.
A liderança nas urnas, porém, não garante que Siegmund será chefe do governo. A escolha é feita pelo Parlamento estadual, e os demais partidos já rejeitaram a possibilidade de formar uma coalizão com a AfD. Por isso, o número de cadeiras conquistadas pela legenda será determinante.
Histórico e propostas
Criada em 2013 como uma sigla eurocética, a AfD se radicalizou principalmente após a crise de refugiados de 2015 na Europa, impulsionada pela Guerra na Síria. Desde então, a oposição à imigração se tornou uma de suas principais bandeiras, especialmente nos Estados que integravam a antiga Alemanha Oriental.
A Saxônia-Anhalt tem cerca de 2,1 milhões de habitantes e um dos menores PIBs per capita da Alemanha. Depois da reunificação, em 1990, a região enfrentou fechamento de empresas, saída de moradores e desigualdades em relação ao oeste do país.
Entre as propostas da AfD estão ampliar as deportações de requerentes de asilo rejeitados e criar turmas separadas nas escolas para imigrantes e crianças com necessidades especiais. A legenda também defende cancelar concessões de emissoras públicas no Estado e retirar recursos de projetos considerados “não alemães” ou “antialemães”, sem detalhar esses critérios.
Desde 2023, o braço estadual da AfD é classificado pelo serviço de inteligência local como uma organização extremista de direita. A medida permite ampliar a vigilância, mas não impede a participação eleitoral. Uma proibição dependeria de decisão do Tribunal Constitucional.
Analistas políticos avaliam que uma vitória da AfD testaria a resiliência das instituições alemãs.





