São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Atrito entre poderes pode deixar reformas econômicas em segundo plano, avalia analista

Mário Braga, da RANE, prevê instabilidade institucional sob Lula ou Flávio Bolsonaro e impactos nas relações externas do Brasil.

A agenda econômica do próximo mandato presidencial pode perder prioridade diante de um possível aumento do atrito entre Executivo, Legislativo e Judiciário, segundo Mário Braga, analista de geopolítica para a América Latina na RANE. Na avaliação dele, reformas econômicas e marcos regulatórios destinados a atrair investimentos externos podem ficar em segundo ou terceiro plano, independentemente de quem vencer a eleição presidencial de 2026.

A análise foi apresentada na sétima edição do Radar das Eleições. Braga considera que tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro enfrentarão dificuldades institucionais caso sejam eleitos para a Presidência da República em 2027.

A relação com o Judiciário seria um dos principais focos de tensão. Entre os pontos citados estão a liberação de emendas impositivas sob investigação do Supremo Tribunal Federal e a autorização para que senadores possam pedir o impeachment de ministros da Corte.

Em um eventual governo Lula, o conflito com o Legislativo estaria relacionado à atuação de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, na investigação sobre as emendas parlamentares. Braga avaliou que o uso do Supremo pelo Executivo para se opor ao controle do orçamento pelo Congresso seria uma fonte de atrito.

No cenário de uma vitória de Flávio Bolsonaro, a tensão poderia mudar de configuração. Segundo o analista, haveria uma aliança mais natural entre a Presidência e o Congresso para tentar remover, provavelmente, o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. “Qualquer que seja o cenário, será um cenário em que uma instabilidade institucional tem grande potencial de acontecer”, afirmou Braga.

Para ele, o ambiente de confronto deixaria em segundo plano reformas fiscais e estruturantes, além de marcos regulatórios voltados a setores que dependem de legislação para atrair investimentos. “Nesse cenário de enfrentamento muito agudo, isso tudo deixa de ser prioridade”, disse.

No exterior, Braga também prevê diferenças entre os dois governos. Com Lula, as relações com os Estados Unidos permaneceriam voláteis, sujeitas a contatos entre o presidente brasileiro e Donald Trump e a pressões internas no governo americano. Tarifas, sanções e medidas de pressão sobre operações de segurança poderiam afetar essa relação.

Com Flávio Bolsonaro, a avaliação é de uma aproximação diplomática mais alinhada ao governo Trump. Já as relações com a União Europeia, a China e os países do BRICS seriam mais favoráveis em um governo Lula, associado ao multilateralismo e a acordos comerciais.

Sob Flávio Bolsonaro, acordos envolvendo empresas ou interesses chineses em ativos estratégicos passariam por maior escrutínio. Braga citou possíveis pressões sobre interesses chineses em áreas como minerais críticos e portos, sem prever expropriações ou rompimentos contratuais.

O ajuste fiscal, segundo o analista, seria necessário em qualquer cenário. Em um eventual quarto mandato de Lula, as medidas seriam as mínimas para permitir a execução do orçamento ou evitar uma crise fiscal mais forte. Com Flávio Bolsonaro, Braga prevê maior disciplina fiscal e medidas de austeridade mais intensas para reduzir a trajetória da dívida.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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