O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, acusou o governo central de ignorar alertas sobre o aumento da chegada de migrantes antes da crise registrada em 30 de julho. Ele atribuiu responsabilidade política ao Ministério do Interior e à Moncloa, sede do governo espanhol, mas isentou o delegado do governo na cidade.
Vivas afirmou que as autoridades locais comunicaram ao governo de Pedro Sánchez a intensificação das entradas nos dias anteriores à chegada maciça. Segundo ele, cerca de 1 500 pessoas entraram em uma semana, enquanto o número de menores acolhidos subiu de 180 para 800.
O presidente disse ter pedido a declaração de situação de emergência e a criação de um comando único. Também afirmou que o governo não respondeu aos pedidos de ajuda nem aos relatórios do CNI. Para Vivas, a resposta oficial mudou depois do episódio: inicialmente tratado por Sánchez como um ataque à integridade territorial, passou a ser conduzido principalmente como uma crise migratória, sob os procedimentos da legislação de estrangeiros.
Cobrança por responsabilidades
Vivas descreveu o cenário como “o momento mais difícil” da história recente de Ceuta e disse haver entre os moradores uma sensação “justificada de abandono”. Ele defendeu a apuração de responsabilidades políticas e afirmou que a gestão do governo o deixou sem condições para enfrentar uma crise dessa dimensão.
Apesar das críticas, o presidente não responsabilizou diretamente o delegado do governo em Ceuta. Segundo Vivas, os alertas foram encaminhados por ele aos superiores, incluindo o Ministério do Interior e, depois, a Moncloa.
O dirigente também relacionou a crise a Marrocos. Ele classificou a entrada maciça como uma “invasão” e afirmou considerar improvável que as autoridades marroquinas não soubessem de uma mobilização que, segundo suas estimativas, envolveu cerca de 80 mil pessoas. Vivas comparou o episódio à crise fronteiriça de maio de 2021 e defendeu a manutenção de uma relação estratégica entre Espanha, Marrocos e a Europa, baseada no respeito à soberania e à integridade territorial espanholas.
Proposta para menores
Vivas rejeitou que a resposta para os menores não acompanhados seja apenas transferi-los de Ceuta para a Península Ibérica. Ele propôs um acordo entre Espanha e Marrocos, sob tutela da União Europeia, para que os menores que chegassem à cidade fossem acolhidos em Marrocos por uma instituição credenciada.
A instituição, segundo a proposta, procuraria as famílias ou, quando a reunificação não fosse adequada, garantiria um tutor ou proteção institucional. Vivas afirmou que a União Europeia poderia financiar o mecanismo.
O presidente de Ceuta disse que a cidade acolhe atualmente cerca de 2 000 menores e defendeu uma solução estável para evitar que adolescentes continuem arriscando a vida no mar para chegar ao território espanhol.







