A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro enfrenta críticas internas por causa da condução política, da comunicação e da integração entre os grupos envolvidos na candidatura. O senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável por articular o projeto, é um dos alvos das reclamações de aliados e integrantes da equipe.
Relatos de pessoas ligadas à campanha apontam centralização nas decisões e dificuldade para acomodar lideranças políticas e partidárias. Na avaliação desses interlocutores, o modelo tem provocado disputas internas e reduzido a coordenação da pré-candidatura.
Também há críticas à estratégia para ampliar a presença pública de Flávio Bolsonaro. A campanha teria dificuldade para produzir conteúdo, ocupar espaço na imprensa, estabelecer fatos políticos e influenciar o debate público. Parte dos apoiadores avalia que a atuação do senador continua baseada principalmente nas redes sociais e na mobilização espontânea da militância, sem uma estrutura profissional de comunicação.
Influência do núcleo nos Estados Unidos
As queixas incluem o chamado “comitê dos EUA”, do qual participa o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Segundo integrantes da campanha, o núcleo que atua nos Estados Unidos estaria influenciando ou definindo decisões estratégicas.
Para esses interlocutores, a dinâmica provoca ruídos na comunicação interna, deixa mais lento o processo de decisão e enfraquece o protagonismo da equipe responsável pela rotina da campanha.
A tensão aumentou após a divulgação de um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o anúncio de tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um documento, Flávio Bolsonaro não pediu o cancelamento das tarifas avaliadas pelo governo norte-americano. Solicitou apenas que uma eventual aplicação fosse adiada para depois das eleições presidenciais brasileiras de 2026.
Integrantes do governo federal avaliam que a iniciativa beneficiou politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.







