São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Dados oficiais contrastam promessas e resultados da gestão Tarcísio

Entrevista expôs metas não alcançadas, déficits na segurança, superlotação prisional e obras previstas para depois de 2030.

Sabatina expõe contradições entre discurso de Tarcísio e dados da gestão em SP

A entrevista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentou novas metas e promessas para a administração paulista, mas também evidenciou resultados abaixo dos objetivos anunciados, déficits estruturais e cronogramas que avançam para além de um eventual segundo mandato.

Na educação, a promessa feita na campanha de 2022 era alcançar 60% dos estudantes da rede estadual no ensino integral. Atualmente, pouco mais de 30% estão nessa modalidade. Durante a entrevista, Tarcísio reconheceu que não cumprirá a meta e propôs chegar a 40% em um eventual segundo mandato.

Os índices do Ideb melhoraram, mas permaneceram abaixo dos objetivos estabelecidos. Nos anos finais do ensino fundamental, o resultado passou de 5,1 em 2023 para 5,2 em 2025, diante de uma meta de 5,8. No ensino médio, subiu de 4,2 para 4,3, enquanto o objetivo era 5,1. O governador também citou o Pisa, cuja edição de 2022 ocorreu antes do início do atual governo paulista.

Tarcísio ainda admitiu a necessidade de rever o uso de plataformas digitais na rede estadual, após a expansão desse modelo. Ele mencionou problemas relacionados ao excesso de cobranças de exercícios e acessos e aos efeitos sobre a autonomia dos professores.

Segurança e sistema prisional

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que São Paulo tinha, em 2025, 82.250 policiais militares para um efetivo previsto de 93.801, o equivalente a 87,7% do quadro. Na Polícia Civil, eram 19.420 profissionais para 24.332 postos, ou 79,8%. Documentos do Tribunal de Contas do Estado também registram déficits e recomendam medidas para recompor os efetivos.

Na área penitenciária, o governador anunciou a construção de dez novos presídios e classificou o sistema como “bem controlado”. Dados do Tribunal de Contas, porém, indicam que 74,7% das unidades examinadas funcionavam acima da capacidade. Em 68,13% delas, não havia bloqueadores de sinais de celulares; 72% estavam sem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros vigente.

Obras e concessões

No transporte ferroviário, empreendimentos mencionados no horizonte de entregas até 2030 têm conclusão prevista para depois desse prazo. A extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos e a ampliação da Linha 13-Jade até Bonsucesso estão programadas para 2032. A extensão da Linha 12-Safira até Suzano tem previsão para 2031.

O governador também reconheceu que a concentração da operação ferroviária em poucas empresas pode ser problemática e admitiu considerar a revisão de contratos. A CPTM reassumiu temporariamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após problemas ocorridos poucos dias depois da transferência para a concessionária Trivia Trens. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação, e Tarcísio chegou a ameaçar anular a concessão.

Na habitação, o governo classifica o Casa Paulista como o maior programa habitacional da história do Estado. A contagem reúne unidades habitacionais, subsídios e cartas de crédito. A comunicação oficial registra mais de 80 mil famílias atendidas, enquanto a promessa de 2022 previa 200 mil moradias até o final de 2026.

Saneamento e saúde

Ao falar sobre a Sabesp, Tarcísio citou que Guarulhos tinha 2% do esgoto tratado. O percentual corresponde a 2017. A Sabesp assumiu o saneamento do município em 2019. O tratamento estava em aproximadamente 18% em dezembro de 2023, chegou a cerca de 40% em 2025 e alcançou 48% nos dados citados para 2026. A coleta passou de 91% para 96% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025.

Na saúde, o governador afirmou que o número de cirurgias havia crescido de aproximadamente 750 mil para 1,5 milhão. São Paulo registrou volume recorde de cirurgias eletivas em 2025, mas uma auditoria do Tribunal de Contas da União, com dados de 2023 a 2025, apontou dificuldades no monitoramento e na integração dos registros. Apenas uma parcela reduzida das cirurgias estava registrada na Rede Nacional de Dados em Saúde.

A expansão das concessões também enfrenta limitações de fiscalização. A Artesp tem estrutura reduzida diante dos serviços regulados e dificuldades para transformar autuações em multas efetivamente cobradas. O governo atribui parte do problema à morosidade judicial.

A entrevista ocorreu durante a campanha pela reeleição e colocou em comparação as promessas de 2022, os resultados do mandato e as metas apresentadas para os próximos quatro anos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5