São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Política

Dependência fóssil pressiona tarifas e fica fora do centro dos planos presidenciais

Estudo aponta que os seis principais programas para 2026 não apresentam cronograma para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Dependência fóssil pressiona tarifas e fica fora do centro dos planos presidenciais

A dependência de combustíveis fósseis pode pressionar a conta de luz, os gastos das famílias e os recursos públicos, mas não ocupa o centro dos planos de governo dos principais candidatos à Presidência em 2026. Uma análise da Política por Inteiro, do Instituto Talanoa, avaliou os seis principais programas dos seis principais candidatos e concluiu que, em todos eles, a transição energética aparece apenas como diversificação da matriz, sem cronograma para reduzir o uso de petróleo, gás e carvão.

O custo dos combustíveis fósseis

Embora o Brasil tenha uma matriz elétrica majoritariamente limpa, termelétricas a gás, óleo e carvão são acionadas quando os reservatórios baixam. A geração custa mais e contribui para a alta das tarifas. A energia elétrica foi o principal fator de pressão da inflação em 2025, enquanto as projeções para 2026 indicam reajustes de até 7,95%, acima do IPCA previsto de 5%.

A participação das térmicas fósseis na matriz elétrica deve passar de 10% para 18% até 2040. Segundo estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), para cada R$ 1 destinado a subsídios para energias renováveis, cerca de R$ 2,52 são direcionados aos combustíveis fósseis. Em 2024, os subsídios somaram cerca de R$ 47 bilhões.

As famílias brasileiras gastam cerca de 11,8% do orçamento com energia, uma proporção superior à registrada nas grandes economias da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de acordo com os dados citados no estudo.

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, quase o dobro do resultado de um ano antes. O período coincidiu com a valorização do petróleo, associada no texto à guerra no Oriente Médio; em 12 meses, o Brent subiu 54%. No mesmo intervalo, as oito maiores petroleiras do mundo somaram cerca de US$ 93 bilhões em lucro, o equivalente a quase R$ 60 mil por segundo.

No primeiro semestre de 2026, quase 85% dos investimentos da Petrobras foram destinados ao petróleo, enquanto menos de 2% foram aplicados em energias de baixo carbono. Cerca de um terço do óleo extraído foi exportado.

Decisões políticas e planos de governo

Em 2025, parlamentares incluíram na Lei das Eólicas Offshore dispositivos que obrigavam a contratação de termelétricas a gás e carvão mesmo sem necessidade. Os trechos foram vetados pela Presidência, mas voltaram à pauta do Congresso. Se os vetos forem derrubados, a Frente Nacional de Consumidores de Energia estima um custo adicional de cerca de R$ 20 bilhões por ano, equivalente a um aumento de 9% na conta de luz.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) também calculou que o plano para a compra da distribuidora Amazonas Energia pela Âmbar, dos irmãos Batista, custaria cerca de R$ 8 bilhões a mais do que a alternativa considerada ideal para os consumidores.

Entre os programas analisados, o plano de Lula (PT) é o único que menciona o compromisso de o Brasil ajudar a construir um mapa global para a redução dos combustíveis fósseis. O documento, porém, mantém petróleo e gás na estratégia energética sem estabelecer uma trajetória de saída. Já Flávio Bolsonaro (PL) defende a expansão do petróleo e do gás, incluindo o gás não convencional obtido por fraturamento. No programa do candidato, a mudança do clima não é citada.

O texto também afirma que nenhum dos candidatos apresenta os subsídios aos combustíveis fósseis como uma questão relacionada ao custo de vida. A Agência Internacional de Energia Renovável é citada para sustentar que 91% dos novos projetos de energias renováveis já são mais baratos que projetos fósseis.

João Cerqueira, engenheiro ambiental e diretor da 350 Brasil, defende o redirecionamento dos subsídios para renováveis, baterias e eficiência energética. Para ele, a mudança poderia reduzir a pressão sobre a conta de luz e diminuir a exposição a choques externos de preços.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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