São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Educação paulista enfrenta queda no Ideb, menos matrículas e críticas à gestão

Indicadores nacionais e relatos de professores contrastam com a avaliação positiva apresentada pela Secretaria da Educação de São Paulo.

Gestão Tarcísio acumula queda no Ideb, evasão recorde e desgaste com professores

A rede estadual de São Paulo registrou queda no desempenho do Ensino Médio no Ideb 2025, redução nas matrículas e críticas de professores e entidades sindicais às políticas educacionais do governo Tarcísio de Freitas. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) apresenta os resultados como avanço, mas educadores apontam problemas relacionados à evasão, ao uso de plataformas digitais, ao modelo cívico-militar e à expansão do ensino integral.

No Ensino Médio regular, a rede paulista obteve média 4,3 e ficou na 10ª colocação nacional, abaixo da 8ª posição alcançada em 2023. Considerando o Ensino Médio integrado à educação profissional, a média foi 4,5, com o estado em 8º lugar entre as unidades da Federação. Os resultados também permaneceram abaixo dos registrados em 2019.

A Seduc-SP destacou que São Paulo alcançou, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o quinto lugar no país e afirmou que a frequência escolar chegou a 91,1% em 2025. A pasta também atribuiu parte da complexidade da gestão ao tamanho da rede estadual, considerada a maior do Brasil.

Matrículas e ensino integral

Dados do Censo Escolar mostram que a rede estadual perdeu 256,9 mil estudantes do Ensino Médio entre 2024 e 2025, uma retração de 17%. A queda foi de 8,3% no 1º ano, 18,5% no 2º ano e 25% no 3º ano. Nas redes estaduais do país, a redução média foi de 6,6%.

A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP), presidenta licenciada do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), relacionou a diminuição à expansão do Programa Ensino Integral (PEI), à redução de turmas noturnas e à retração da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela também defendeu bolsas de permanência para estudantes que precisam trabalhar.

Pesquisas da Rede Escola Pública e Universidade (Repu) associam a queda nas matrículas às mudanças estruturais na rede. Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Repu, afirmou que a expansão do PEI reduziu o ensino noturno e a EJA. Ele também apontou a transferência de estudantes com 18 anos ou mais para a EJA, inclusive em modalidades a distância, como um mecanismo que altera o público considerado nas avaliações de larga escala.

A Seduc-SP informou que o abandono escolar caiu para 3,5% e que ações de busca ativa e acompanhamento de frequência levaram cerca de 300 mil alunos a mais às salas de aula diariamente.

Modelo cívico-militar e escolas concedidas

O Programa de Escolas Cívico-Militares alcança 100 unidades em 88 municípios paulistas. Levantamento baseado em dados oficiais indicou que 74 das escolas selecionadas já tinham desempenho no Ideb acima da média da rede estadual antes da adesão.

Em fevereiro, a 13ª Vara de Fazenda Pública da Capital suspendeu, por liminar, trechos do regimento do programa. A decisão, em ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Defensoria Pública, considerou que regras sobre vestimenta, corte de cabelo e comportamento poderiam discriminar estudantes negros e a população LGBT+. Também proibiu policiais militares de dar aulas ou substituir professores em funções disciplinares.

A Seduc-SP afirmou que a gestão pedagógica e administrativa continua sob responsabilidade dos profissionais da educação e que os Conselhos de Escola preservam sua autonomia. A secretaria disse ainda ter atualizado as diretrizes para garantir direitos fundamentais e impedir discriminação.

Na infraestrutura, a Seduc-SP e a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI) avançaram na Parceria Público-Privada (PPP) para construir e administrar 33 escolas em 29 municípios. Segundo a secretaria, a concessionária ficará restrita à gestão predial e à manutenção física, sem interferência no currículo ou nas diretrizes pedagógicas.

Plataformas digitais e condições de trabalho

Aplicativos e sistemas como Leia, Matific e Elefante Letrado integram a rotina da rede. A Seduc-SP informou que 100% das escolas têm conexão com velocidade mínima de 100 Mbps e que 13,9 mil profissionais participaram de formações tecnológicas em 2026.

Levantamento da Fundacentro com entidades das áreas de saúde e educação apontou que 97,6% dos profissionais entrevistados associam o adoecimento mental e físico às exigências do trabalho digitalizado. Estudos da Repu, segundo Fernando Cássio, não identificaram relação entre o uso das plataformas e a melhora do desempenho dos estudantes.

A política salarial também é alvo de críticas. A Seduc-SP afirmou que paga o piso nacional do magistério por meio de abono complementar e que 70,6% das horas/aula são ministradas por professores efetivos. A pasta informou a nomeação de 17,1 mil aprovados no concurso de 2023 e a autorização de outro concurso para 5 mil vagas, com ingresso em 2028.

Professora Bebel contestou a manutenção do abono e a presença de docentes temporários da Categoria O. A Seduc-SP defendeu a avaliação de desempenho conhecida como Professor Farol, dizendo que a ferramenta tem caráter diagnóstico e formativo e busca orientar capacitação pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape).

Na educação inclusiva, Bebel e a professora Janaína de Paula relataram dificuldades para atender estudantes neurodivergentes e com deficiência, citando superlotação e perda de espaço para salas de recursos. A Seduc-SP informou que a rede dispõe de 24.231 professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e 25.648 profissionais de apoio escolar. Também anunciou a entrada de mais 21 mil profissionais de apoio no segundo semestre de 2026.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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