São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Planilhas do WiFi Livre têm coordenadas fora de São Paulo e datas futuras

Documentos validados pela prefeitura registram pontos em outros municípios, CEP inválido e equipamentos com instalação indicada para o futuro.

Prefeitura de SP aprovou planilha de ONG ligada a 'Dark Horse' que indica ponto de Wi-Fi em praia carioca

Planilhas de prestação de contas do programa WiFi Livre, administrado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), registram informações contraditórias sobre a localização e a instalação de pontos de internet. Os documentos foram validados pela Prefeitura de São Paulo, que supervisiona o programa por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).

As inconsistências incluem coordenadas que apontam para outros municípios e estados, CEPs incompatíveis com os endereços e equipamentos registrados como ativos, mas com instalação prevista para datas futuras. Com isso, os documentos não permitem identificar com precisão onde cada ponto foi instalado, quando entrou em operação e qual é sua cobertura.

O ICB é comandado por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A entidade recebeu mais de R$ 100 milhões pelo serviço. Após duas extensões do contrato, o valor total passou de R$ 157 milhões.

Pontos fora da capital

Uma das planilhas foi enviada pelo ICB à prefeitura em 19 de janeiro de 2025 e relaciona 2.673 pontos supostamente instalados entre agosto de 2024 e janeiro de 2025. A outra, com 2.929 registros, foi apreendida em 10 de junho de 2026 durante uma operação na SMIT. As bases têm 2.673 pontos em comum e a segunda inclui outros 256.

A análise identificou 37 pontos cujas coordenadas ficam fora de São Paulo, embora os endereços indiquem locais na capital. Em um dos casos, um equipamento atribuído à rua Angelo Bini, em Itaquera, tem coordenadas correspondentes à Ilha de Paquetá, no município do Rio de Janeiro. Outro registro, no Itaim Paulista, leva a Jundiaí; um ponto com endereço na capital tem coordenadas associadas a Sorocaba.

Também foram encontrados 16 pontos com CEPs de outras cidades: 15 de Ferraz de Vasconcelos e um de Cotia. Um equipamento de Cidade Tiradentes aparece com o CEP 00941-465, que não corresponde a um código postal válido no país.

Investigações e respostas

O contrato é investigado pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de São Paulo. Em um relatório, a Polícia Federal apontou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina da Gama. A Polícia Civil afirmou ter identificado “consistentes suspeitas” de desvio de recursos do WiFi Livre para financiar a produção de “Dark Horse”.

A SMIT declarou que os pontos são fiscalizados periodicamente por monitoramento técnico e georreferenciado e que a execução foi comprovada por documentos e fotografias. A prefeitura também afirmou que inconsistências cadastrais são comunicadas ao instituto e, depois, disse que elas não comprometem a fiscalização.

O ICB afirmou que as planilhas representam momentos distintos de atualização da base operacional e que a versão mais recente deve ser usada no acompanhamento da execução. A entidade também disse utilizar o georreferenciamento para monitorar os pontos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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