O Brasil tem 17 milhões de eleitores com mais de 70 anos, grupo que representa um em cada dez eleitores aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora o voto seja facultativo nessa faixa etária, a abstenção chega a quase 60%, de acordo com dados das eleições de 2022.
Iniciativas do Movimento Voto 70+ – Experiência que Constrói buscam incentivar esse eleitorado a comparecer às urnas em 4 de outubro. As ações incluem publicações em redes sociais e orientações sobre o transporte gratuito oferecido a pessoas com dificuldades de mobilidade no dia da eleição.
Crescimento e abstenção
Entre 2014 e 2026, o número de brasileiros com mais de 70 anos aptos a votar cresceu quase 60%, enquanto o restante do eleitorado aumentou 8%, segundo o TSE. Ao todo, há 158 milhões de eleitores e eleitoras aptos a votar nas faixas etárias previstas em lei.
Apesar do crescimento, o grupo 70+ é o que mais deixa de votar. Nas eleições de 2022, a abstenção ficou próxima de 60%, ante uma média geral de 16%. As mulheres idosas faltaram mais que os homens idosos, com diferença entre oito e dez pontos percentuais.
A pesquisa “Retratos do voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral” identifica três motivos centrais para o afastamento das urnas: baixa autoestima política, a percepção de que o voto não produz efeitos sobre a vida do eleitor e barreiras físicas. Entre os obstáculos estão dificuldades de locomoção, o receio de enfrentar filas e a dependência de outra pessoa para chegar à seção eleitoral.
Cléa Klouri, fundadora do hub de pesquisa data8 e coordenadora do movimento, afirmou que a iniciativa pretende dar protagonismo ao voto dessa faixa etária. O movimento também divulgou informações sobre os Tribunais Regionais que adotaram resolução do TSE garantindo transporte gratuito para pessoas com dificuldades de mobilidade.
Disputa eleitoral
Levantamento Datafolha realizado entre 15 e 17 de setembro, com registro TSE BR-04029/2026, aponta Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto entre pessoas com 70 anos ou mais. Flávio Bolsonaro aparece com 35% nessa faixa.
Lula tem feito apelos públicos para que os eleitores idosos compareçam. Em um comício em Guarulhos (SP), realizado na quarta-feira (23), ele disse que “a gente só não pode votar quando a gente morrer”. Em um ato em São Gonçalo (RJ), na sexta-feira (25), voltou a pedir que seus apoiadores convençam pessoas idosas a votar.
Para Klouri, os 17 milhões de eleitores com mais de 70 anos podem influenciar o resultado da eleição de 2026. Ela relaciona esse potencial ao fato de que, em 2022, a diferença entre os candidatos foi de 2 milhões de votos.
O cientista político Hilton Fernandes, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, afirmou que a abstenção continua sendo um desafio. Entre eleitores com 80 anos ou mais, a taxa ultrapassou 80%, segundo ele, que também citou as condições de saúde como fator para a decisão de votar.
Regras para votar
A Constituição Federal de 1988 tornou facultativo o voto para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos. O eleitor idoso pode escolher votar apenas no primeiro ou no segundo turno. Pessoas com mais de 60 anos têm atendimento prioritário no dia da votação, assim como gestantes, pessoas com deficiência, pessoas com crianças de colo e lactantes.
No primeiro turno de 2026, serão digitados seis números na urna: deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente. A orientação do movimento é que os eleitores levem uma colinha impressa para facilitar o processo. É proibido entrar com telefone na cabine de votação.








