A disputa presidencial de 2026 mantém Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) como os principais nomes, enquanto nenhum outro candidato supera 5% das intenções de voto. Análises de três cientistas políticos identificam fatores econômicos, sociais e afetivos para explicar a preferência por cada um deles.
O que sustenta Lula
O legado de políticas sociais dos dois primeiros mandatos de Lula aparece como um dos pilares do voto no petista. Entre as medidas citadas estão Bolsa Família, Farmácia Popular, Prouni e Fome Zero. Para Vitor Sandes, professor da UFPI e coordenador do GPPOL, esses programas permitiram a identificação de eleitores diretamente beneficiados e produziram melhoria na qualidade de vida, sobretudo entre pessoas de menor renda.
Os dados da Quaest reforçam essa associação. Entre beneficiários do Bolsa Família, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 13% de Flávio. Na pesquisa Datafolha, 56% dos que recebem o benefício ou moram com beneficiários dizem votar em Lula, enquanto 26% escolhem Flávio Bolsonaro.
Também pesam a percepção de estabilidade, a inflação controlada, a baixa taxa de desemprego e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. A aprovação do governo subiu de 43% para 46%, enquanto a desaprovação recuou para 49%. Segundo Karolina Roeder, professora da Uninter e pesquisadora do INCT ReDem, 83% dos eleitores de Lula consideram definitiva a escolha.
Outro componente é o antibolsonarismo. Entre eleitores de esquerda não lulista, 86% afirmam ter medo da volta da família Bolsonaro ao poder. Nesse grupo, Lula recebe 75% dos votos no primeiro turno e 89% no segundo.
As bases de Flávio Bolsonaro
A rejeição à continuidade de Lula é um dos principais motores do voto em Flávio. Entre eleitores que se identificam como de direita não bolsonarista, 87% dizem ter mais medo da reeleição do petista. Nesse segmento, 71% apoiam Flávio no primeiro turno e 85% em um eventual segundo turno.
Os pesquisadores também associam a candidatura a valores conservadores, como a oposição à legalização do aborto e das drogas, além de soluções imediatistas para a segurança pública. Na pesquisa espontânea da Quaest, Flávio registra 38% entre evangélicos, contra 22% de Lula.
O sobrenome Bolsonaro completa esse conjunto de fatores. Carolina Botelho, doutora em ciência política pela Uerj e pesquisadora do INCT-Sani-CNPq, avalia que parte dos eleitores vê Flávio como uma extensão do pai, embora a confiança depositada em Jair Bolsonaro não tenha sido totalmente transferida ao candidato.
Medo e voto definitivo
O medo aparece nos dois campos: 43% dos eleitores dizem temer a volta da família Bolsonaro ao poder, e outros 43% afirmam ter medo da reeleição de Lula. Para Roeder, o dado expressa a polarização afetiva e ajuda a explicar por que 76% dos eleitores consideram a escolha definitiva.
Entre os candidatos de menor porte, o eleitorado é mais volátil. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) somam cerca de 12% dos votos. Na Quaest de 28 de setembro, Cury e Caiado tinham 4% cada.
A definição desses eleitores pode influenciar um eventual segundo turno. Entre os apoiadores de Zema, 81% votariam em Flávio e 9% em Lula. Entre os de Renan, os percentuais seriam 48% e 23%; entre os de Caiado, 42% e 30%; e entre os de Cury, 34% e 27%. A transferência projetada resultaria em empate de 42% a 42%, segundo a análise de Roeder.







