São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Política

Eurasia mantém Lula à frente por vantagem institucional, apesar do empate nas pesquisas

Consultoria atribui 55% de probabilidade à reeleição, mas reconhece que dois dos três modelos favorecem a oposição.

Eurasia mantém Lula à frente por vantagem institucional, apesar do empate nas pesquisas

A Eurasia Group atribui 55% de chance de vitória a Lula na eleição presidencial de 2026, embora dois dos três modelos usados pela consultoria indiquem um cenário mais favorável à oposição. A vantagem resulta principalmente do histórico de reeleições e das condições associadas ao candidato que ocupa a Presidência.

Os levantamentos de intenção de voto apontam empate técnico no segundo turno. A avaliação sobre os temas que mais preocupam os eleitores favorece a oposição, enquanto o indicador baseado na aprovação presidencial coloca Lula em posição mais confortável.

O peso da aprovação

O primeiro modelo compara a aprovação do governo com um banco de dados que reúne mais de 500 eleições realizadas nos últimos 40 anos. Nesse histórico, candidatos à reeleição com pelo menos 40% de aprovação vencem 58% das vezes.

A aprovação de Lula está em torno de 45%. Com base nessa informação, o modelo o coloca como favorito. O analista político Leonardo Meira Reis afirma que esse resultado contrasta com os demais indicadores, mas contribui para a vantagem geral atribuída ao atual presidente.

Temas que favorecem a oposição

O segundo critério considera qual candidato é visto como mais confiável para lidar com os principais problemas do país. Nesse modelo, o candidato mais crível vence em 80% das vezes, e a preferência atual está com a oposição.

Os assuntos apontados como centrais são corrupção, segurança pública, saúde e custo de vida. Corrupção e segurança pública aparecem como os principais fatores da disputa. Na avaliação de Meira Reis, Lula é considerado menos crível do que os concorrentes nesses temas, o que faria de Flávio Bolsonaro o favorito caso esse fosse o único indicador considerado.

A corrupção ganhou espaço no debate público, especialmente depois da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o analista.

Pesquisas sem vantagem clara

O terceiro modelo calcula uma média dos institutos de pesquisa e das intenções de voto, com atenção especial ao segundo turno. Para Meira Reis, as diferenças registradas nos levantamentos são pequenas demais para apontar uma vantagem definida. Em alguns casos, os candidatos aparecem com o mesmo percentual.

A combinação dos três resultados produz uma estimativa próxima do equilíbrio. A Eurasia, porém, dá preferência ao candidato que tenta a reeleição quando a diferença entre os concorrentes é reduzida. Entre os fatores considerados estão a estrutura da máquina pública, a capacidade de influenciar o debate e a possibilidade de anunciar e executar medidas durante o governo.

“Temos o compromisso analítico de não ficar em cima do muro”, afirma Meira Reis.

Abstenção e limites das pesquisas

A consultoria também considera difícil medir a participação de grupos que historicamente são mais difíceis de alcançar, entre eles eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Meira Reis, pesquisas anteriores podem ter superestimado o desempenho de Lula e subestimado parte do eleitorado conservador.

Outro ponto é a abstenção. A declaração de voto não garante que o eleitor comparecerá às urnas. Trabalho no dia da eleição, idade, questões de saúde e a possibilidade de o voto não ser obrigatório para determinadas faixas etárias estão entre os fatores associados à ausência. O analista também cita o desânimo político.

Os institutos vêm recalibrando seus modelos para reduzir possíveis vieses de amostragem e captação. A expectativa é que o intervalo de erro, que pode ter sido maior em eleições anteriores, fique entre 1 ponto percentual e 1,5 p.p. nestas eleições.

Ainda assim, a pesquisa representa apenas o momento em que é feita. Eleitores podem decidir o voto na fila da urna, comportamento que os levantamentos não conseguem capturar.

Ajuste fiscal no próximo governo

Na avaliação de Meira Reis, haverá algum ajuste fiscal no próximo governo, independentemente de a vitória ficar com Lula ou Flávio Bolsonaro. Assessores dos dois lados, segundo ele, defendem medidas que permitam ao Banco Central cortar os juros mais rapidamente.

O analista afirma que a preocupação de Lula com o endividamento das famílias influencia sua posição. A diferença entre os candidatos estaria na velocidade da implementação do ajuste. Até o primeiro turno, os candidatos haviam apresentado poucos detalhes sobre as medidas que poderiam adotar para enfrentar o problema fiscal.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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