FRANÇA — O consumo de combustíveis caiu 19% entre 1 e 21 de setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, informou o Ministério da Ação e das Contas Públicas. O dado foi divulgado enquanto o governo francês anunciou novas medidas para reduzir os efeitos da alta dos preços sobre famílias, empresas e setores específicos.
Em 20 de setembro, as receitas fiscais relacionadas aos combustíveis já acumulavam queda de 407 milhões de euros em relação ao mesmo período do ano passado. Entre 11 e 20 de setembro, o consumo recuou 30% na comparação com os primeiros dez dias do mês, segundo o ministério.
O pacote apresentado em 22 de setembro terá custo estimado em 405 milhões de euros. O governo, porém, calcula em 450 milhões de euros o total dos apoios anunciados até o momento. David Amiel, ministro da Ação e das Contas Públicas, afirmou que a despesa permanecerá dentro do orçamento de 1,4 bilhão de euros já previsto.
Auxílio ampliado para grandes usuários
Maud Bregeon, porta-voz do governo e ministra delegada responsável pela Energia, disse que 5,5 milhões de franceses poderão receber o benefício destinado aos chamados grandes usuários. Até agora, o programa alcançava três milhões de pessoas.
O auxílio equivalerá, em média, a 40 centavos por litro durante três meses, ou a um subsídio mensal de 100 euros. O pagamento será simplificado, e quem já está inscrito nos programas de apoio não precisará fazer novo procedimento.
O cheque-energia será mantido no orçamento de 2027. A previsão é de que 4,5 milhões de pessoas recebam automaticamente o benefício a partir de janeiro, com valores entre 48 e 277 euros, conforme a composição de cada família.
Benefícios para setores específicos
Serge Papin, ministro das Pequenas e Médias Empresas, do Comércio, do Artesanato, do Turismo e do Poder de Compra, confirmou a extensão até 31 de dezembro dos auxílios setoriais criados no início do mês.
O limite do subsídio de combustível pago pelos empregadores subirá para 1.000 euros. O benefício será isento de impostos e não terá encargos salariais. Na construção civil, o apoio de 20 centavos por litro também será prorrogado.
Para os pescadores, o auxílio passará de 25 para 35 centavos por litro, cobrindo 70% do aumento dos custos dos combustíveis. O governo também implementará um empréstimo sem juros para reforçar a liquidez do setor. Os agricultores terão apoio prolongado de 15 centavos por litro, além do plano emergencial relacionado às secas e às intempéries.
Na área da saúde, enfermeiros que percorrem mais de 100 quilômetros por dia poderão receber um bônus de zona rural de 80 euros. A medida deve alcançar 25.000 pessoas. Esses profissionais também poderão adiar, sem penalidades, o pagamento de contribuições à Urssaf. Prestadores de cuidados domiciliares terão acesso ao auxílio de 100 euros para longas distâncias se percorrerem pelo menos 30 quilômetros por dia.
Fim do auxílio a transportadores
O governo anunciou o encerramento dos apoios aos transportadores rodoviários. Roland Lescure, ministro da Economia, disse que as empresas repassam o aumento do combustível ao valor cobrado dos clientes.
Lescure afirmou que o governo quer proteger trabalhadores e franceses com rendimentos mais baixos. Também declarou que não há preocupação com o abastecimento nos próximos dois meses, embora reconheça fortes incertezas sobre o futuro.
O preço médio dos combustíveis chegou a 2,41 euros em todo o país no domingo. Na mesma ocasião, 14% dos postos estavam sem pelo menos um tipo de combustível.
Governo promete devolver eventual excedente
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que o Estado não está formando um fundo com recursos dos motoristas. Segundo ele, se a alta dos preços gerar excedente de receitas fiscais, o valor será devolvido aos franceses.
Lecornu também defendeu a continuidade das medidas voltadas ao abastecimento, ao apoio aos grupos mais vulneráveis e à redução da dependência de combustíveis. Lescure citou ainda a eletrificação do país e informou que o leasing social lançado no ano passado já recebeu 34.000 pedidos neste ano.







