RIO DE JANEIRO — A TV Globo cancelou nesta quinta-feira (1º) o debate entre candidatos à Presidência da República que seria realizado naquela noite, três dias antes do primeiro turno. A emissora atribuiu a decisão a duas notificações judiciais recebidas horas antes do programa, que modificaram regras combinadas previamente com as campanhas.
O debate estava previsto para 21h30, depois do Jornal Nacional, e seria mediado pelo jornalista César Tralli. O encontro também seria o último debate presidencial antes da votação de domingo (4).
Em nota, a Globo afirmou que as decisões alteraram as regras do programa e geraram “insegurança jurídica”. A emissora informou que, por esse motivo, decidiu cancelar o encontro.
Decisões alteraram o formato
Uma das determinações foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma ação apresentada pela federação que apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula havia avisado que não iria ao debate.
O planejamento original previa que o púlpito destinado a Lula permanecesse vazio, acompanhado de uma identificação sobre sua ausência. Também estava prevista a possibilidade de os demais candidatos fazerem perguntas dirigidas a ele em uma rodada de tema livre. A ministra suspendeu essas duas regras, impedindo a Globo de exibir o espaço com o nome do candidato e de autorizar perguntas direcionadas a ele.
Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a presença de Renan Santos, candidato do Missão. A Globo havia chamado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT), considerando o critério de representação parlamentar previsto para a participação obrigatória em debates.
Antes disso, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia determinado a inclusão de Romeu Zema (Novo). A nova decisão incluiu também Renan Santos, embora o Missão tenha apenas um parlamentar no Congresso.
Desistência de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro havia confirmado presença, mas decidiu não participar após a decisão que proibiu a manutenção do espaço vazio destinado a Lula. A campanha do senador classificou a medida como “censura”.
Com a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro e as mudanças determinadas pela Justiça Eleitoral e pelo STF, a configuração do programa foi alterada várias vezes ao longo do dia.
O debate seria realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, em quatro blocos de perguntas e respostas. Haveria questões sobre temas definidos e perguntas de tema livre feitas pelos próprios candidatos. A programação previa a exibição no lugar da novela das 21h, depois do Jornal Nacional, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1.







