A segurança diante da Rússia e o aumento do custo de vida estiveram entre os principais temas das eleições parlamentares na Letônia, vencidas pela Lista Unida, partido de centro-direita do primeiro-ministro Andris Kulbergs.
Com mais de 99,9% dos votos apurados, a legenda tinha 35,4% dos votos, conforme a televisão pública. No Parlamento, que tem 100 lugares, a Lista Unida garantiu 42 cadeiras — um recorde na história do país após a independência, segundo a comunicação social local.
Kulbergs assumiu o cargo em maio e afirmou que o resultado superou as expectativas e confirmou a vantagem indicada pelas pesquisas de boca de urna. “Isso significa que as pessoas querem mesmo mudança”, disse. Ele associou essa mudança ao crescimento econômico e a um futuro para as crianças da Letônia.
Segurança e economia
Membro da NATO e da União Europeia desde 2004, a Letônia considera a Rússia sua principal ameaça à segurança e aumentou de forma acentuada os gastos com defesa. A maioria dos partidos que devem entrar no Parlamento apoia a manutenção de altos níveis de despesa militar e a continuidade da ajuda a Kiev.
A exceção é o Sovereign Power, que se opõe à ajuda militar à Ucrânia e a novos aumentos dos gastos em defesa. O partido concentrou sua campanha no custo de vida e deverá terminar em terceiro lugar. Mesmo assim, seus adversários o classificam como pró-russo, e os principais partidos descartaram trabalhar com a legenda.
O custo de vida, os baixos salários, a pressão sobre o sistema de saúde e o declínio demográfico de longo prazo também apareceram nos debates. Kulbergs afirmou que, por estar na fronteira externa da Europa, o país precisa de uma economia e de uma região fronteiriça fortes.
Nova configuração partidária
A coligação liderada por Kulbergs não deve continuar no formato atual. Um dos parceiros parece prestes a perder seus lugares, enquanto outros tiveram desempenho abaixo do esperado.
O partido conservador Latvia First deve ficar em segundo lugar. Já os partidos populistas tiveram desempenho forte, com apoio da minoria russófona, que representa um terço da população. Durante anos, esses eleitores apoiaram o Harmony, geralmente considerado pró-Rússia. O partido perdeu representação parlamentar depois de seu apoio entrar em colapso nas últimas eleições.







