BRASÍLIA — A eleição presidencial de 2022 chegou ao primeiro turno marcada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição. A disputa terminou no segundo turno, depois de Bolsonaro apresentar desempenho superior ao projetado por pesquisas realizadas nos dias anteriores à votação.
Pesquisas e voto útil
Em 29 de setembro de 2022, pesquisa Datafolha registrada sob o número BR-09479/2022 apontava Lula com 50% dos votos válidos no primeiro turno, contra 36% de Bolsonaro. A diferença era de 14 pontos percentuais. Na mesma pesquisa, 44% avaliavam negativamente o governo Bolsonaro, 31% tinham avaliação positiva e 24% o consideravam regular.
Nas urnas, em 2 de outubro, Bolsonaro concentrou parte do voto útil do antipetismo. O desempenho de Lula ficou dentro da margem de erro, e os dois avançaram para o segundo turno. Voto útil é a escolha de um candidato que o eleitor considera capaz de derrotar outro que rejeita, mesmo quando essa não era sua preferência inicial.
Temas da campanha
Bolsonaro mobilizou pautas conservadoras, como o combate ao aborto e à chamada “ideologia de gênero”, além de associar Lula e o PT à corrupção. Lula concentrou críticas na gestão da pandemia de covid-19 e nas condições econômicas e sociais do país, com destaque para fome e desemprego. Também comparou o governo adversário com seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010.
A campanha ocorreu após os impactos da pandemia nas cadeias globais de suprimentos e sobre a inflação. Segundo o Ministério da Saúde, 716 mil pessoas morreram de covid-19 no Brasil entre 2020 e 2025.
A guerra decorrente da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, também entrou no debate eleitoral por pressionar os preços de combustíveis e alimentos. Em agosto daquele ano, a inflação acumulada em 12 meses era de 8,73%, depois de alcançar 12,13% em abril, a maior taxa para um período de 12 meses desde 2003.
A Selic estava em 13,75% ao ano em agosto de 2022, após permanecer em 2% ao ano entre junho de 2020 e março de 2021. O desemprego ficou em 8,9% no trimestre encerrado em setembro de 2022, depois de atingir 14,9% em dois períodos durante a pandemia.
Também em agosto, Bolsonaro elevou em 50% os valores do Bolsa Família, então chamado de Auxílio Brasil. O repasse mínimo passou de R$ 400 para R$ 600. Para viabilizar as medidas, o governo enviou ao Congresso a PEC Kamikaze, que permitiu ampliar benefícios sociais, o Auxílio-Gás e criar pagamentos temporários para caminhoneiros e taxistas.
Democracia e alianças
A defesa das instituições democráticas ganhou espaço após ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral, incluindo questionamentos às urnas eletrônicas e a ameaça de não reconhecer o resultado sem voto impresso. O governo também manteve confrontos com o Supremo Tribunal Federal, especialmente com Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral naquele pleito.
Em resposta, Lula formou uma frente ampla com dez partidos e recebeu apoio de lideranças de diferentes espectros políticos e segmentos sociais. Entre os apoiadores estavam Henrique Meirelles, Armínio Fraga e Geraldo Alckmin, que deixou o PSDB e concorreu a vice-presidente pelo PSB na chapa com Lula.
A campanha também foi marcada por casos de violência política. Após a eleição, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Bolsonaro, em junho de 2023, a oito anos de inelegibilidade, até 2030, por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação. Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal o condenou a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. O ex-presidente está em prisão domiciliar em Brasília.








