São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Polymarket mantém divulgação sobre eleições brasileiras apesar de proibição

Página brasileira da plataforma publicou 103 conteúdos sobre eleições e ampliou o alcance com perfis de fofoca, memes e influenciadores.

Polymarket mantém divulgação sobre eleições brasileiras apesar de proibição

A Polymarket manteve publicações sobre as eleições brasileiras no Instagram mesmo estando proibida de ofertar e divulgar seus serviços no Brasil desde 24.abr.2026. Até 24.ago.2026, foram identificadas 103 publicações com referências à disputa eleitoral, muitas delas compartilhadas com páginas de fofoca, memes, esportes e influenciadores.

Um dos exemplos foi publicado em 31.ago.2026 pela página voltada ao público brasileiro. O carrossel usou conteúdos da imprensa, memes e um gráfico com previsões sobre os candidatos à Presidência. A publicação dizia que as chances de Flávio vencer a eleição haviam disparado. O conteúdo foi feito em colaboração com a página @opoeteiro, que soma mais de 2,3 milhões de seguidores, sem informar se se tratava de publicidade.

A página @polymarketbrasil foi criada em 2021 e mudou o nome de usuário para @polymarketportugues em 2.set.2026. A FSB Comunicação, que passou a atender a Polymarket neste ano, confirmou que o perfil pertence à empresa. A assessoria afirmou que a plataforma não tem equipe no Brasil, apenas prestadores de serviços pontuais.

Em nota, a Polymarket disse que não apoia candidatos, partidos ou correntes ideológicas e que não adota posicionamento editorial sobre eleições. A empresa também afirmou que não comentaria parcerias, campanhas, influenciadores e conteúdos específicos.

Alcance por páginas e influenciadores

Entre 656 publicações coletadas até 24.ago.2026, mais da metade tratava de política. Esportes apareciam em 143 posts, atualidades em 131 e tecnologia em 42. A coleta foi feita por meio de um navegador automatizado, com análise manual das categorias dos conteúdos.

A conta que mais fazia colaborações ou era marcada nas publicações era a @notjournal.ai, com 212 mil seguidores. O perfil pertence ao Not Journal, cujo sócio-administrador e editor-chefe é Bruno Richards de Souza Figueiredo. Desde abr.2026, ele se apresenta como funcionário da Polymarket e como “country manager” da empresa no evento Rio Innovation Week.

Também houve compartilhamentos com a página @ncpjornalismo1, que tinha mais de 1 milhão de seguidores e deixou de estar disponível em 31.ago.2026. O perfil fazia referência ao site No Centro da Política, ligado ao jornalista Hugo Alves dos Santos.

Outras páginas envolvidas nas colaborações foram @diferentona, com mais de 3,5 milhões de seguidores; @noticias, com mais de 2,6 milhões; @teatualizou, com mais de 1,6 milhão; e @pesmilgrau_, com mais de 1 milhão. Também aparecem perfis de futebol, memes, curiosidades e influenciadores.

Nenhuma das páginas informa se recebeu pagamento pelo compartilhamento. Em caso de publicidade, essa informação é obrigatória.

Avaliações e posição das autoridades

Para Rafael Zanatta, diretor da Data Privacy Brasil, o uso de linguagem noticiosa ou de meme pode driblar a proibição. Ele afirmou que a conta oficial estaria indisponível e que uma subsidiária faria um anúncio escamoteado, mesmo sem link direto para a plataforma.

O volume estimado em apostas na eleição brasileira era de US$141,7 milhões até 2.set.2026. O professor Fernando Neisser, da FGV, avaliou que, por não haver pedido explícito de acesso à plataforma, link direto ou apresentação como pesquisa eleitoral, as publicações não indicariam, a priori, ilícito eleitoral. Segundo ele, seria necessária uma apuração mais aprofundada para verificar se os conteúdos mascaram propaganda irregular ou buscam beneficiar ou prejudicar algum candidato.

A assessoria da Secretaria de Prêmios e Apostas informou que o bloqueio havia sido implementado pela maioria dos provedores após notificação da Anatel. A secretaria também disse que a oferta e a divulgação da Polymarket continuam vedadas no país e que já comunicou às plataformas mais de 2 mil conteúdos irregulares, incluindo publicações sobre mercados de previsão.

Testes indicaram que o site continuava acessível, com uso de VPN, no Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. A Anatel afirmou que sua atuação se limita ao encaminhamento de decisões administrativas às empresas de telecomunicações para o bloqueio de sites e não inclui redes sociais ou plataformas digitais. A Meta não comentou.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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